Autores
Dr. Cláudio Amichetti Júnior – Médico Veterinário, CRMV‑SP 75.404 VT, MAPA 00129461/2025, CREA 060149829‑SP, com foco em Nutrição Clínica, Alimentação Natural, Medicina Canabinoide e Medicina Translacional. Petclube – São Paulo, Brasil.
Dr. Gabriel Amichetti – Médico Veterinário, CRMV‑SP 45.592 VT, com foco em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais. Petclube – São Paulo, Brasil.
A ingestão de uvas e seus derivados por cães está associada ao desenvolvimento de insuficiência renal aguda (IRA). Embora a relação clínica seja amplamente reconhecida, o agente tóxico permaneceu obscuro por décadas. Estudos recentes apontam o ácido tartárico e seu sal, o bitartarato de potássio, como principais responsáveis pelo padrão de nefrotoxicidade observado. Este artigo revisa as evidências clássicas e contemporâneas, correlacionando achados clínicos, experimentais e fisiopatológicos que sustentam o ácido tartárico como mecanismo central da lesão tubular renal.
Palavras‑chave: uvas; ácido tartárico; nefrotoxicidade; cães; IRA.
A intoxicação por uvas em cães vem sendo relatada desde o início dos anos 2000. Os casos apresentam, de forma consistente, vômito agudo seguido de insuficiência renal aguda. Durante muitos anos, a ausência de identificação do agente tóxico dificultou a compreensão fisiopatológica e atrasou abordagens terapêuticas mais específicas.
A partir de 2022, a correlação entre quadros idênticos causados por cremor tártaro e tamarindo reforçou a hipótese de que o ácido tartárico é o principal responsável pelo padrão lesivo observado em cães.
O estudo de Eubig et al. (2005) descreveu:
Exames post-mortem demonstram:
Casos de intoxicação por:
apresentaram o mesmo padrão de nefrotoxicidade observado na ingestão de uvas.
A convergência entre:
cumpre critérios de causalidade e reforça o ácido tartárico como o agente nefrotóxico predominante.
Os túbulos proximais:
A toxicidade do ácido tartárico é altamente variável.
Fatores propostos:
A identificação do ácido tartárico como nefrotóxico:
Ainda assim, faltam estudos experimentais padronizados que quantifiquem dose‑resposta e descrevam mecanismos moleculares específicos.
Com base nas evidências disponíveis:
EUBIG, P. A. et al. Acute renal failure in dogs after ingestion of grapes or raisins. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 19, n. 5, p. 663‑674, 2005.
MAZZAFERRO, E. M. et al. Acute renal failure associated with grape ingestion in dogs. Journal of the American Animal Hospital Association, 2004.
WEGENAST, C. A. et al. Acute kidney injury in dogs following ingestion of cream of tartar and tamarinds. Veterinary Clinical Toxicology Reports, 2022.
ASPCA Animal Poison Control Center. Toxicology Database.
BMC Veterinary Research. Renal histopathological evidence in grape‑induced toxicity. 2016.
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