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O Petclube Amichetti é uma empresa, mas sua essência ultrapassa a lógica empresarial. Sua trajetória foi construída sobre uma filosofia de vida pautada por valores éticos, responsabilidade, conhecimento e compromisso com o bem maior. Mais do que oferecer serviços, o Petclube Amichetti representa uma forma de ver o mundo: com respeito à vida, à natureza, aos animais e às pessoas.
Desde sua origem, o Petclube Amichetti consolidou uma atuação baseada na seriedade técnica, na observação clínica e na convicção de que a excelência humana e animal nasce da coerência entre ciência, consciência e propósito. Seu trabalho integra medicina veterinária, alimentação natural, nutrologia, metabolismo animal, preservação ambiental e difusão de conhecimento, sempre com uma postura firme em defesa do que é certo, do que é ético e do que é duradouro.
A proposta do Petclube Amichetti é clara: cuidar da vida com profundidade, documentar resultados com responsabilidade e compartilhar informação séria para que mais pessoas tenham acesso a conteúdos confiáveis, técnicos e úteis. Em um cenário marcado por excesso de ruído e superficialidade, o Petclube assume um papel editorial e científico relevante, funcionando também como um espaço de divulgação de artigos veterinários fundamentados, acessíveis e comprometidos com a verdade.
A medicina veterinária praticada pelo Petclube Amichetti é integrativa por natureza. Isso significa compreender o animal de forma ampla, considerando corpo, metabolismo, alimentação, comportamento, ambiente e vínculo afetivo com sua família humana. Não se trata apenas de tratar doenças, mas de construir saúde, prevenir desequilíbrios e promover bem-estar real e sustentável.
Nesse contexto, a alimentação natural ocupa papel central. Ela não é apenas uma escolha alimentar, mas uma ferramenta de cuidado profundo, capaz de contribuir para o equilíbrio metabólico, a vitalidade e a qualidade de vida dos animais. Somada à nutrologia veterinária e ao estudo do metabolismo animal, essa abordagem permite condutas mais individualizadas, coerentes e alinhadas com a fisiologia de cada paciente
O Petclube Amichetti acredita que saúde verdadeira exige constância, técnica e sensibilidade. Alimentar com consciência, acompanhar com responsabilidade e intervir com precisão são princípios que sustentam uma medicina veterinária moderna, humana e comprometida com resultados concretos.
A história do Petclube Amichetti também está profundamente ligada à recuperação ambiental. Em uma área ao lado da Rodovia Régis Bittencourt, onde a Mata Atlântica foi, ao longo do tempo, submetida a ciclos de exploração e degradação, foi desenvolvido um trabalho contínuo de restauração, com plantio de árvores nativas, reintrodução de espécies raras e preservação da integridade ecológica.
Esse compromisso com a terra não é apenas ambiental. Ele traduz uma visão mais ampla de saúde, na qual natureza, animal e ser humano estão interligados. Ao restaurar o solo, proteger o lençol freático e valorizar a vegetação nativa, o Petclube reforça a ideia de que preservar o ambiente é também preservar a vida em suas múltiplas dimensões.
O Petclube Amichetti reconhece com profundidade o papel dos pets na vida das pessoas. Os animais oferecem companhia, vínculo, rotina, afeto e, em muitos casos, uma razão concreta para seguir em frente. Para inúmeras famílias, eles representam alegria, estabilidade emocional e motivação de vida.
O site do Petclube Amichetti foi concebido não apenas como uma vitrine institucional, mas como um verdadeiro espaço de compartilhamento de conhecimento técnico e científico. Sua missão é publicar artigos veterinários sérios, bem documentados e acessíveis, capazes de alcançar profissionais, tutores, estudantes e pessoas que buscam informação confiável sobre saúde animal, nutrição, comportamento, bem-estar e medicina integrativa.
A força do Petclube Amichetti está também enraizada na família. Seus princípios não foram construídos em torno da conveniência, mas da convicção. Ética, moral, responsabilidade e compromisso com o certo não aparecem como discurso decorativo, mas como base concreta de tudo o que foi edificado ao longo do tempo.
O Petclube Amichetti é uma empresa, sim. Mas é, acima de tudo, uma filosofia de vida aplicada à prática. Sua história reúne medicina veterinária, alimentação natural, nutrologia, preservação ambiental, apoio emocional, difusão científica e valores familiares em uma mesma visão de futuro.
Ao restaurar a natureza, fortalece a vida.
Ao divulgar conhecimento sério, amplia o alcance da verdade.
Ao preservar valores, constrói legado.
BECK, Alan M.; KATCHER, Aaron H. Between pets and people: the importance of animal companionship. West Lafayette: Purdue University Press, 1996.
FARACO, Ceres Berger. Interação humano-animal. São Paulo: Elsevier, 2008.
FINE, Alan H. Handbook on animal-assisted therapy: theoretical foundations and guidelines for practice. 4. ed. San Diego: Academic Press, 2015.
FRASER, David. Understanding animal welfare: the science in its cultural context. Chichester: Wiley-Blackwell, 2008.
HAND, Michael S. et al. Small animal clinical nutrition. 5. ed. Topeka: Mark Morris Institute, 2010.
NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Nutrient requirements of dogs and cats. Washington, DC: National Academies Press, 2006.
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Dr. Cláudio Amichetti Júnior (CRMV-SP 75.404 VT, MAPA 00129461/2025, CREA 060149829-SP) — Médico Veterinário Integrativo, foco em Nutrição Clínica de Felinos e Caninos, Medicina Canabinoide e Medicina Translacional.
Dr. Gabriel Amichetti (CRMV-SP 45.592 VT) — Médico Veterinário, especialista em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais.
Petclube — São Paulo, SP, Brasil.
Maio de 2026.
Introdução: A esteatose hepática felina (EHF) e a esteatose hepática canina secundária representam condições metabólicas de crescente relevância na clínica veterinária, diretamente associadas ao consumo de rações ultraprocessadas e ao descompasso evolutivo entre a fisiologia de carnívoros e a nutrição industrializada. Objetivo: Revisar de forma integrativa os mecanismos fisiopatológicos da esteatose hepática em cães e gatos, e analisar criticamente o potencial translacional de peptídeos reguladores do eixo GH-IGF-1, agonistas incretínicos e o peptídeo mitocondrial MOTS‑c. Métodos: Revisão narrativa da literatura científica com buscas sistematizadas nas bases PubMed, Scopus, Google Scholar e SciELO, priorizando estudos pré‑clínicos em modelos animais (ratos, camundongos, coelhos, cães, gatos e suínos), ensaios clínicos em humanos e relatos de caso veterinários. Resultados: Foram identificados sete grupos de peptídeos com potencial translacional: tesamorelina, CJC‑1295, ipamorelina, capromorelina (Entyce®), retatrutida, agonistas GLP‑1 e MOTS‑c. O MOTS‑c — codificado no DNA mitocondrial, ativador de AMPK — demonstrou em estudos recentes redução de esteato‑hepatite via interação com Bcl‑2, reversão de hipertrofia cardíaca em diabetes tipo 2 e prevenção de senescência de células beta pancreáticas. Conclusão: A combinação estratégica de peptídeos que restauram apetite, eixo GH‑IGF‑1 e função mitocondrial representa a abordagem mais promissora para o manejo da esteatose hepática em pequenos animais, mas estudos clínicos randomizados específicos para cada espécie são urgentemente necessários.
Palavras‑chave: esteatose hepática felina; lipidose hepática canina; peptídeos terapêuticos; MOTS‑c; medicina translacional veterinária, medicina veterinária integrativa.
Introduction: Feline hepatic lipidosis (FHL) and secondary canine hepatic steatosis are metabolic conditions of increasing relevance in veterinary practice, directly linked to the consumption of ultra‑processed pet foods and the evolutionary mismatch between carnivore physiology and industrial nutrition. Objective: To integratively review the pathophysiological mechanisms of hepatic steatosis in dogs and cats and critically analyze the translational potential of GH‑IGF‑1 secretagogues, incretin agonists, and the mitochondrial peptide MOTS‑c. Methods: Narrative review with systematic searches in PubMed, Scopus, Google Scholar, and SciELO, prioritizing preclinical studies in animal models (rats, mice, rabbits, dogs, cats, pigs), human clinical trials, and veterinary case reports. Results: Seven peptide groups with translational potential were identified: tesamorelin, CJC‑1295, ipamorelin, capromorelin (Entyce®), retatrutide, GLP‑1 agonists, and MOTS‑c. MOTS‑c — encoded in mitochondrial DNA, an AMPK activator — has recently demonstrated reduction of steatohepatitis via Bcl‑2 interaction, reversal of cardiac hypertrophy in type 2 diabetes, and prevention of pancreatic beta‑cell senescence. Conclusion: The strategic combination of peptides that restore appetite, the GH‑IGF‑1 axis, and mitochondrial function represents the most promising approach for managing hepatic steatosis in small animals, but species‑specific randomized clinical trials are urgently needed.
Keywords: feline hepatic lipidosis; canine hepatic steatosis; therapeutic peptides; MOTS‑c; translational veterinary medicine.
A alimentação de cães e gatos passou por uma transformação radical nos últimos cinquenta anos. As rações secas (kibbles) e úmidas industrializadas substituíram progressivamente dietas baseadas em carne crua, vísceras e ossos, que constituíam a alimentação natural dos ancestrais caninos e felinos [24, 29]. Atualmente, a indústria de pet food produz mais de 10 milhões de toneladas de ração por ano, movimentando cerca de 150 bilhões de dólares globalmente. Estima‑se que 40% a 60% dos gatos domésticos apresentem sobrepeso ou obesidade (APOP), e a prevalência de doenças metabólicas — incluindo a esteatose hepática — cresce na mesma proporção [25, 30].
Os gatos são carnívoros obrigatórios. Sua fisiologia digestiva e metabólica é adaptada a uma dieta rica em proteínas (40% ou mais da matéria seca), moderada em gorduras e muito pobre em carboidratos (<5% na presa natural) [2, 31]. Evidências evolutivas mostram que os felinos perderam a capacidade de produzir amilase salivar, apresentam baixíssima atividade de amilase pancreática e ausência de glicoquinase hepática, enzima‑chave para o metabolismo da glicose [24, 30]. Além disso, dependem de fontes exógenas de taurina (ácido biliar, função cardíaca e retiniana), arginina (ciclo da ureia), ácido araquidônico e vitamina A pré‑formada [23, 29].
As rações secas comerciais contêm tipicamente 6% a 10% de umidade, em contraste com os 70% a 80% de uma presa natural. Para atender aos requisitos de processamento (extrusão) e palatabilidade, os níveis de carboidratos frequentemente alcançam 40% a 50% da matéria seca — uma quantidade para a qual o metabolismo felino não está preparado [24, 30]. Essa sobrecarga crônica de carboidratos, combinada ao alto teor de ácidos graxos ômega‑6 e à baixa ingestão de proteínas de qualidade (em rações de baixo custo), cria um ambiente pró‑inflamatório e de balanço energético positivo [29].
A esteatose hepática felina (EHF) é a doença hepática mais frequente em gatos e caracteriza‑se pelo acúmulo de triglicerídeos em mais de 50% do peso total do fígado [1, 2]. A fisiopatologia clássica envolve um período de anorexia (por doença primária, estresse ou mudança dietética) que desencadeia lipólise periférica, com liberação maciça de ácidos graxos não esterificados (AGNE) para o fígado. Paralelamente, o gato apresenta deficiência congênita na produção de apolipoproteína B100 (apoB100) e na atividade da proteína microssomal de transferência de triglicerídeos (MTP), limitando severamente a montagem e secreção de VLDL [1, 2]. A β‑oxidação hepática de AGNE é igualmente limitada pela baixa disponibilidade de carnitina e pela reduzida expressão de enzimas oxidativas [2, 25]. O resultado é um acúmulo maciço de gordura no hepatócito, que pode evoluir para falência hepática se não tratado a tempo.
No cão, a esteatose hepática é quase sempre secundária a doenças primárias: diabetes mellitus, hiperadrenocorticismo (HAC), pancreatite, hipotireoidismo ou obesidade [1, 31]. O acúmulo lipídico raramente ultrapassa 20‑30% do peso hepático, e a patogênese envolve resistência à insulina mediada por diacilglicerol (DAG) e ativação de proteína quinase C épsilon (PKCε), que interfere na sinalização do receptor de insulina nos hepatócitos [1, 26].
O tratamento convencional da EHF baseia‑se na nutrição enteral precoce (sonda nasoesofágica ou esofágica), com dietas hiperproteicas e normolipídicas, associada ao manejo da doença de base [2, 25]. A taxa de sucesso em casos precoces chega a 80‑90%, mas a mortalidade pode atingir 10‑40% em apresentações tardias ou com comorbidades [25]. Para a esteatose canina, o tratamento é dirigido à causa primária, com suporte hepático e controle metabólico [1].
Nas últimas décadas, a medicina humana desenvolveu uma série de peptídeos sintéticos com potencial para modular diretamente os mecanismos envolvidos na esteatose hepática. Secretagogos de hormônio do crescimento (GH), agonistas do receptor de GLP‑1 e, mais recentemente, o peptídeo mitocondrial MOTS‑c, têm demonstrado redução de gordura hepática e melhora do perfil metabólico em ensaios clínicos [11, 12, 13, 3, 4]. Este artigo revisa de forma integrativa o potencial translacional desses compostos para a clínica de cães e gatos, considerando as particularidades metabólicas de cada espécie e os desafios da aplicação off‑label.
A motivação para esta revisão surgiu de conteúdos de divulgação científica no EUA — sobre o uso de stack de peptídeos para redução de gordura visceral e o MOTS‑c — que trouxeram à tona a possibilidade de adaptar essas estratégias para o contexto veterinário. A ausência de estudos específicos em gatos e cães com esteatose, no entanto, exige uma análise criteriosa da fisiologia comparada.
A EHF representa o protótipo de doença metabólica em carnívoros obrigatórios. A sequência de eventos é desencadeada por um período de anorexia (frequentemente 7‑14 dias) que leva à liberação massiva de AGNE do tecido adiposo visceral e subcutâneo para a circulação, mediada pela lipase hormônio‑sensível (HSL) sob estímulo de catecolaminas e cortisol [2, 25]. O fígado capta esses AGNE de forma passiva e ativa (via FAT/CD36), e o excesso é reesterificado em triglicerídeos.
A incapacidade de exportar esses lipídios é a marca da espécie felina. Estudos comparativos mostram que gatos expressam níveis significativamente menores de RNAm para apoB100 e MTP no fígado em relação a cães e humanos [1, 30]. A síntese de VLDL é, portanto, insuficiente para drenar o pool de triglicerídeos. Adicionalmente, a β‑oxidação mitocondrial de ácidos graxos é limitada pela baixa disponibilidade de carnitina (que deve ser obtida da dieta) e pela reduzida atividade da carnitina palmitoiltransferase I (CPT‑1) [2, 23].
O acúmulo lipídico intracelular desencadeia estresse oxidativo e lipoperoxidação. Espécies reativas de oxigênio (ROS) geram malondialdeído (MDA) e 4‑hidroxinonenal (4‑HNE), que ativam as células de Kupffer via receptores TLR4, promovendo liberação de TNF‑α e IL‑6 [26, 29]. Essas citocinas pró‑inflamatórias ativam a via NF‑κB nos hepatócitos, amplificando a lesão e a apoptose. A insulina perde parcialmente sua ação supressora da lipólise, criando um ciclo vicioso de liberação de AGNE e resistência hepática [26].
O tratamento convencional exige suporte nutricional intensivo. Dietas com 30‑45% de proteína na matéria seca (baseada em soro de leite ou carne), teor moderado de gordura (15‑20%) e baixo carboidrato (<15%) são administradas por sonda de alimentação. O prognóstico é bom quando a terapia é iniciada precocemente, mas desfavorável em casos com icterícia grave, encefalopatia hepática ou coagulopatia [2, 25].
Ao contrário dos gatos, os cães raramente desenvolvem lipidose hepática primária. A esteatose é uma consequência de distúrbios metabólicos pré‑existentes [1, 31]. As causas mais comuns incluem:
O mecanismo molecular central é a ativação da via DAG/PKCε. O diacilglicerol acumula‑se nos hepatócitos devido ao excesso de ácidos graxos, ativando a PKCε, que fosforila o receptor de insulina (IRS‑1/2), reduzindo sua sinalização e perpetuando a resistência insulínica [1, 26]. Esse fenômeno é mais relevante no cão do que no gato, pois os felinos têm menor capacidade de acumular DAG hepático.
O tratamento é primariamente direcionado à doença de base: insulinoterapia no diabetes, trilostano no HAC, suporte hepático com S‑adenosilmetionina (SAMe), ácido ursodesoxicólico e vitamina E.
O tecido adiposo visceral (TAV) é reconhecido como um órgão endócrino ativo na patogênese da esteatose. Em ambas as espécies, a hipertrofia dos adipócitos leva à hipóxia local, recrutamento de macrófagos e secreção de citocinas pró‑inflamatórias [26, 29].
A adiponectina, hormônio anti‑inflamatório e sensibilizador de insulina, está cronicamente reduzida em animais obesos e com esteatose, em parte devido à supressão transcricional pelo fator de necrose tumoral [26, 29]. A restauração dos níveis de adiponectina é um alvo terapêutico indireto dos peptídeos que melhoram a sensibilidade insulínica.
O hormônio do crescimento (GH) é secretado pela hipófise anterior de forma pulsátil, regulado pelo GHRH (estimulador), somatostatina (inibidor) e grelina (estimuladora) [28]. Após ligação ao receptor de GH (GHR), ocorre ativação da via JAK2/STAT5, que promove transcrição de genes lipolíticos e de IGF‑1 hepático.
Efeitos hepáticos do GH:
Em ratos obesos, a administração de GH reduziu o conteúdo hepático de triglicerídeos em 30‑50% em 4 semanas, com aumento concomitante de IGF‑1 e melhora da homeostase glicêmica [21]. Em humanos com lipodistrofia associada ao HIV, a tesamorelina (análogo sintético de GHRH) reduziu a gordura visceral em 15‑20% e a gordura hepática em 18‑33% [11, 12].
Grelina e seu papel controverso:
A grelina é um peptídeo orexigênico (estimulador de apetite) que também atua como secretagogo de GH via receptor GHS‑R1a. Em roedores, a administração de grelina exógena aumentou a lipogênese hepática via ativação de mTOR e PPARγ, paradoxalmente piorando a esteatose [22]. Esse efeito parece ser dependente da dose e da duração: pulsos curtos de grelina podem estimular o GH sem efeito adverso, enquanto a exposição contínua promove acúmulo lipídico. Esse dado é relevante para a escolha de secretagogos (como a capromorelina) que ativam o receptor de grelina sem os efeitos metabólicos adversos.
Em gatos com EHF, o eixo GH‑IGF‑1 encontra‑se deprimido: os níveis de IGF‑1 estão significativamente mais baixos que em gatos saudáveis, refletindo a disfunção hepática e a anorexia [25]. A restauração desse eixo é um alvo racional, seja por meio de secretagogos de GH, seja pela própria reposição de IGF‑1 recombinante.
A tesamorelina é um análogo sintético do GHRH, aprovado pelo FDA para tratar lipodistrofia em pacientes com HIV. Sua meia‑vida é de aproximadamente 30 minutos, exigindo administração subcutânea 3‑5 vezes por semana [11].
Estudos em humanos: Falutz et al. (2007) demonstraram em ensaio clínico randomizado (n=412) que tesamorelina reduziu a gordura visceral em 15‑20% em 26 semanas, sem alterar a gordura subcutânea [11]. Stanley et al. (2014) mostraram que a tesamorelina reduziu o conteúdo hepático de triglicerídeos (medido por espectroscopia de ressonância magnética) em 18‑33% em pacientes HIV+, independentemente da perda de peso [12].
Potencial veterinário: Não há estudos em cães ou gatos. Teoricamente, a tesamorelina poderia restaurar o eixo GH‑IGF‑1 deprimido na EHF, promovendo lipólise periférica e β‑oxidação hepática. A necessidade de aplicações frequentes e o custo elevado limitam sua aplicação prática.
O CJC‑1295 é um análogo de GHRH conjugado ao ácido graxo (Drug Affinity Complex), que se liga à albumina, conferindo meia‑vida prolongada (6‑14 dias em humanos). Permite administração semanal [19].
Estudos: Jetté et al. (2005) demonstraram em ratos que uma única dose subcutânea de CJC‑1295 elevou os níveis de GH e IGF‑1 por até 14 dias [19]. Em humanos, Teichman et al. (2006) mostraram aumento dose‑dependente de IGF‑1 por 14 dias após dose única [20].
Potencial veterinário: Administração semanal seria vantajosa na clínica. No entanto, o CJC‑1295 nunca foi testado em cães ou gatos. O perfil de segurança em humanos é favorável, com efeitos colaterais transitórios (rubor facial, cefaleia). O risco de superestimulação do eixo GH não é desprezível e requer monitoramento de IGF‑1.
A ipamorelina é um pentapeptídeo sintético (Aib‑His‑D‑2‑Nal‑D‑Phe‑Lys‑NH₂) agonista do receptor de grelina (GHS‑R1a). Diferentemente da grelina nativa, não se liga ao receptor de GLP‑1 e não estimula a liberação de ACTH ou prolactina [18].
Estudos pré‑clínicos: Miguel et al. (2002) testaram ipamorelina em cães, ratos, porcos e ovelhas. Em todas as espécies, a administração subcutânea de 30‑100 µg/kg resultou em aumento robusto e dose‑dependente de GH (até 10‑15 vezes o basal), com pico em 20‑30 minutos e retorno ao normal em 2 horas [18]. Em cães, não houve diferença significativa entre as doses quanto à magnitude do pico, sugerindo saturação dos receptores [18]. Importante: a ipamorelina não causou hipercortisolemia ou hiperprolactinemia significativas [18].
Potencial veterinário: A ipamorelina apresenta um duplo benefício para a EHF: (1) estimula o apetite (via receptor de grelina), revertendo a anorexia central; (2) estimula o eixo GH‑IGF‑1, promovendo lipólise e β‑oxidação. A dose extrapolada para cães e gatos seria de 100‑200 µg/kg SC 1‑2 vezes ao dia. Como desvantagem, a meia‑vida curta exige duas aplicações diárias, o que é pouco prático em gatos.
A capromorelina é um agonista do receptor de grelina, aprovado pelo FDA e EMA para o tratamento de anorexia em cães (Entyce®). É administrada por via oral (solução) uma vez ao dia [16, 17].
Estudos em cães: Zollers et al. (2016) conduziram dois estudos multicêntricos randomizados, duplo‑cegos, controlados por placebo, com 130 cães anoréxicos. A capromorelina (3 mg/kg PO q24h por 14 dias) resultou em aumento significativo na ingestão alimentar e no escore de apetite (p<0,001) [16]. Rhodes et al. (2017) confirmaram o perfil de segurança em estudo de campo, com efeitos adversos leves (vômitos, hipersalivação) [17].
Mecanismo: agonista seletivo do GHS‑R1a, com meia‑vida adequada para dose única diária. Não há estudos sobre seus efeitos no eixo GH sistêmico em cães, mas acredita‑se que estimule a liberação de GH de forma pulsátil, semelhante à grelina nativa.
Potencial na EHF: A capromorelina poderia ser utilizada como ferramenta de estímulo alimentar em gatos anoréxicos com EHF, evitando a necessidade imediata de sonda. Não existem estudos específicos em gatos, mas seu uso off‑label é plausível. No entanto, seu efeito sobre o GH pode ser insuficiente para promover a lipólise necessária, sendo mais útil como coadjuvante.
A retatrutida é um agonista triplo dos receptores de GLP‑1, GIP e glucagon, desenvolvida para obesidade e esteato‑hepatite não alcoólica (NASH) em humanos. Ensaios clínicos de fase 2 mostraram redução de 43‑58% no conteúdo hepático de triglicerídeos em 48 semanas [13].
Estudos pré‑clínicos: Em ratos, a retatrutida reduziu a esteatose e a inflamação hepática em modelo de NASH, associada a redução de peso e melhora do perfil lipídico [15]. Em camundongos, a combinação com agonistas de GLP‑1 mostrou sinergia na redução da gordura hepática.
Potencial veterinário: A retatrutida é anorexígena (reduz apetite), sendo contraindicada na fase aguda da EHF (que exige restauração do apetite). Poderia ter aplicação na prevenção da esteatose em gatos obesos, ou na esteatose canina secundária a diabetes/obesidade. Não há estudos veterinários publicados.
Amplamente utilizados em humanos para diabetes tipo 2 e obesidade. Em cães e gatos, a exenatida e a liraglutida foram testadas principalmente para controle glicêmico no diabetes mellitus felino e canino, com resultados modestos [31].
Potencial na esteatose: Os agonistas GLP‑1 reduzem o peso corporal e a gordura hepática em humanos e roedores. Contudo, seu efeito anorexígeno limita o uso na EHF aguda. Poderiam ser considerados para esteatose crônica em cães com diabetes, desde que o apetite esteja preservado.
O MOTS‑c (Mitochondrial Open Reading Frame of the 12S rRNA‑c) é um peptídeo de 16 aminoácidos (MRWQEMGYIFYPRKLR) codificado no gene mitocondrial MT‑RNR1 (12S rRNA). Foi identificado por Lee et al. em 2015 como um regulador do metabolismo energético, independente do DNA nuclear [3]. A produção endógena de MOTS‑c declina com a idade em humanos e roedores, associando‑se ao envelhecimento metabólico.
O MOTS‑c atua primariamente no núcleo celular, onde se liga ao fator de transcrição SIRT1, ativando a via AMPK [3, 4]. O mecanismo proposto envolve:
Redução de esteato‑hepatite (NASH): Um estudo de 2023 (Cell Reports) demonstrou que o MOTS‑c reduz a progressão da NASH em camundongos alimentados com dieta rica em gordura através da interação direta com a proteína antiapoptótica Bcl‑2 nos hepatócitos [5]. O tratamento com MOTS‑c reduziu a esteatose, a inflamação e a fibrose hepática.
Reversão de hipertrofia cardíaca em diabetes tipo 2: Em ratos diabéticos tipo 2, o MOTS‑c reverteu a hipertrofia cardíaca e melhorou a função diastólica, mediado pelo aumento da captação de glicose e redução do estresse oxidativo [7].
Prevenção de senescência de células beta pancreáticas: Em ilhotas pancreáticas humanas e murinas, o MOTS‑c preveniu a senescência induzida por estresse metabólico, preservando a secreção de insulina [4].
Regulação metabólica: Lee et al. (2015) mostraram que a administração de MOTS‑c reverteu a obesidade induzida por dieta em camundongos, aumentou o gasto energético e melhorou a resistência insulínica [3].
Controle de metabólitos: Estudo de 2019 (Physiological Reports) demonstrou que o MOTS‑c regula mais de 200 metabólitos circulantes, incluindo aminoácidos de cadeia ramificada e ácidos graxos [8].
A EHF é, em sua essência, uma doença de disfunção mitocondrial hepática: a β‑oxidação é deficiente, a produção de ROS é elevada e a autofagia é suprimida [2, 25]. O MOTS‑c atua em múltiplos elos dessa cadeia:
Nenhum estudo testou o MOTS‑c em gatos ou cães. No entanto, a fisiologia mitocondrial felina é particularmente vulnerável: a dependência de taurina e carnitina, a baixa expressão de enzimas de β‑oxidação e a alta produção de ROS tornam o fígado felino um candidato ideal para uma abordagem que melhore a bioenergética mitocondrial.
Breno Azevedo, em seu canal, descreve um protocolo com MOTS‑c para humanos: 3,5‑5 mg subcutâneo, 2‑3 vezes por semana, em dias não consecutivos (administração pulsátil para evitar dessensibilização). Sugere também o stack com NAD+ (nicotinamida adenina dinucleotídeo) e SS‑31 (peptídeo mitocondrial) para potencializar a biogênese.
Para cães, a extrapolação alométrica (fatores de correção) indicaria doses na faixa de 0,5‑1,5 mg para um cão de 10‑20 kg, e 0,3‑0,8 mg para um gato (4‑6 kg), administrados 2‑3x/sem. Essas doses são puramente especulativas e necessitam de validação experimental.
Por ser um peptídeo endógeno (produzido pelas próprias mitocôndrias), o MOTS‑c apresenta baixo risco toxicológico. Estudos em camundongos com altas doses (até 20 mg/kg) não mostraram toxicidade hepática ou renal [3]. Em humanos, relatos anedóticos indicam boa tolerância, com raros casos de náusea ou reação no local da injeção. A ausência de estudos em animais de companhia impede a recomendação clínica segura.
A Tabela 1 sumariza os peptídeos revisados, seus alvos e potenciais aplicações na esteatose de cães e gatos.
Tabela 1: Peptídeos com potencial translacional para esteatose hepática em cães e gatos
Considerando a fisiopatologia da EHF e os perfis dos peptídeos, propõe‑se um protocolo em três fases (hipotético, carente de validação):
A esteatose hepática em cães e gatos representa um desafio clínico crescente, impulsionado pela alimentação ultraprocessada e pelo descompasso evolutivo entre a fisiologia de carnívoros e a nutrição industrial. O tratamento convencional, embora eficaz na maioria dos casos precoces, ainda apresenta limitações significativas, especialmente em quadros tardios.
Peptídeos originalmente desenvolvidos para a medicina humana oferecem oportunidades translacionais únicas. A capromorelina (Entyce®) já está disponível para estímulo do apetite em cães, mas seu uso na EHF felina ainda não foi estudado. A ipamorelina combina estímulo de apetite e do eixo GH‑IGF‑1, atacando dois elos críticos da fisiopatologia. A tesamorelina e o CJC‑1295 podem restaurar a sinalização de GH e reduzir a gordura hepática em animais com eixo deprimido.
O MOTS‑c, peptídeo mitocondrial endógeno, destaca‑se por seu mecanismo de ação múltiplo: ativação da AMPK, melhora da β‑oxidação, prevenção de apoptose e mitofagia. Por atuar exatamente no ponto central da disfunção mitocondrial felina, representa o alvo mais promissor para intervenção futura.
O stack proposto — capromorelina + ipamorelina na fase aguda, seguido por MOTS‑c e suporte hepático — é a abordagem mais racional com base nos mecanismos conhecidos. Contudo, a ausência de estudos clínicos específicos em cães e gatos exige cautela. Ensaios clínicos randomizados, com desfechos robustos e segurança a longo prazo, são urgentes para que esses peptídeos possam integrar de forma segura e eficaz o arsenal terapêutico da medicina veterinária integrativa.
| Fonte | Peptídeos Principais | Benefício Central | Dose |
|---|---|---|---|
| Colágeno Hidrolisado | Gly-Pro-Hyp tipos I/II/III | Articulações, pele, GI | 5-15g/dia (cão), 1-3g/dia (gato) |
| Hidrolisado de Salmão | Salmigo® Protect L60 | ↓ Inflamação visceral, obesidade | Ingrediente pet food |
| Leite (Whey/Caseína) | CPP, lactoferrina, IgA | Imunidade, GI, antioxidante | Suplemento dietético |
| Ovo | Ovotransferrina, RVPSLM | Cardiovascular, proteção hepática | Dieta caseira |
| Carne (subprodutos) | Carnosina, anserina | Muscular, cognitivo, anti-glicação | Dieta caseira |
| Origem Marinha | VTAL (ostra), peptídeos peixe | Proteção hepática, antioxidante | Suplemento dietético |
| Caldo Ósseo | Gelatina, glicina, condroitina | Articulações, intestino, pelagem | 10-30 mL/kg/dia |
| Peptídeo | Dose Cão | Dose Gato | Indicação |
|---|---|---|---|
| Capromorelina ✅ | 3 mg/kg VO 1x/dia | 2-3 mg/kg VO 1x/dia | Anorexia, EHF |
| Ipamorelina | 100-200 mcg/kg SC 1-2x/dia | 100-200 mcg/kg SC 1-2x/dia | EHF, sarcopenia |
| Tesamorelina | 0,5-1 mg SC 3-5x/sem | 0,5-1 mg SC 3-5x/sem | EHF, gordura visceral |
| CJC-1295 | 1-2 mg SC 1x/sem | 0,5-1 mg SC 1x/sem | Eixo GH deprimido |
| BPC-157 | 5-25 mcg/kg SC/IM/PO | 5-25 mcg/kg SC | Cicatrização, CCL, GI |
| TB-500 | 1-5 mg SC 2x/sem | 0,5-2 mg SC 2x/sem | Tendinopatia, CCL |
| MOTS-c | 2-5 mg SC 2-3x/sem | 2-3 mg SC 2-3x/sem | Esteatose hepática |
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作者:Dr. Cláudio Amichetti Júnior (CRMV-SP 75.404 VT) 和 Dr. Gabriel Amichetti (CRMV-SP 45.592 VT) Petclube — 巴西圣保罗,2026年5月
生物活性肽是由2至50个氨基酸组成的短链,在胃肠道消化过程中或通过受控工业加工酶解释放时,能够发挥特定的生物活性。它们与完整蛋白质的区别在于体积较小,能够直接被肠道吸收并与高亲和力的细胞受体相互作用。在兽医学领域,随着人们对这些分子在调节炎症、代谢和再生过程中作用的认识不断深入,特别是对于猫肝脂肪变性(FHL)和犬继发性肝脂肪变性等慢性疾病,对它们的兴趣与日俱增。
生物活性肽的来源可分为两大类:天然食物来源(水解胶原蛋白、鲑鱼水解物、乳肽、蛋肽、肉肽和骨汤)和商业合成或重组来源(卡普罗瑞林、伊帕莫瑞林、替沙莫瑞林、CJC-1295、雷塔鲁肽、BPC-157、TB-500、MOTS-c等)。这两类肽在GH-IGF-1轴、AMPK/mTOR信号通路、炎症调节和组织再生方面的作用机制具有共性。
水解胶原蛋白是通过对I型、II型和III型胶原蛋白进行受控酶水解而获得的,产生低分子量(2-5 kDa)的肽,其中以甘氨酸-脯氨酸-羟脯氨酸三肽(Gly-Pro-Hyp)为主。这些肽能够被小肠完整吸收,优先在关节软骨和骨组织中积累,通过整合素受体激活成纤维细胞和软骨细胞,从而刺激细胞外基质的合成。在患骨关节炎的犬中,以5克/天的剂量补充水解胶原蛋白,12周后跛行减轻、功能改善。这一结果由Blees等人(2025年)发表在《动物生理学与动物营养学杂志》上,以及2024年发表在《PLOS ONE》上关于PETAGILE®产品的研究所证实。对于猫,推荐剂量为1至3克/天。
鲑鱼蛋白水解物富含具有抗炎活性和调节内脏脂肪组织作用的生物活性肽片段。产品Salmigo® Protect L60(挪威Biomega公司)是一个商业实例,已证明在猫和犬中可降低全身炎症标志物,该结果由Biomega公司与Passion4Feed(2023年)合作进行的临床研究所证实。
乳源性肽分为两大类:来自酪蛋白的酪蛋白磷酸肽(CPP)和来自乳清的肽,如乳白蛋白、乳铁蛋白和免疫球蛋白。CPP作为钙和磷的载体,促进牙齿和骨骼的再矿化。乳铁蛋白通过螯合铁发挥抗菌活性,并通过增加分泌型IgA调节免疫反应。
蛋清和蛋黄中含有具有高治疗潜力的生物活性肽。其中突出的有卵转铁蛋白(抗菌和抗氧化活性)、溶菌酶(抗菌)以及蛋清中的特异性肽,如RVPSLM、TPSPR和QIGLF,具有强效的血管紧张素转换酶(ACE)抑制活性。
肉水解物,特别是来自鸡肉、猪肉和牛肉的水解物,是二肽肌肽(β-丙氨酰-L-组氨酸)和鹅肌肽(β-丙氨酰-1-甲基-L-组氨酸)的丰富来源。肌肽作为螯合过渡金属(铜、铁)的抗氧化剂和抗糖化剂,抑制晚期糖基化终末产物(AGEs)的形成。
鱼水解物(沙丁鱼、金枪鱼、鳕鱼)和牡蛎(特别是Magallana gigas)水解物提供具有强效抗氧化和抗炎活性的肽。从牡蛎中分离出的肽VTAL(Val-Thr-Ala-Leu)在2022年的一项研究(PMC9707094)中证明可保护HepG2肝细胞免受诱导的氧化损伤。
骨汤富含变性胶原蛋白、明胶、糖胺聚糖(硫酸软骨素、透明质酸)以及游离氨基酸,如甘氨酸、脯氨酸和羟脯氨酸。在长时间(24-48小时)熬煮过程中,胶原蛋白被水解为低分子量的明胶肽,可直接被肠道吸收。指导剂量为10至30毫升/公斤/天。
天然来源肽(水解胶原蛋白、骨汤、鲑鱼水解物)为口服给药,生物利用度有限(估计5-20%)。合成注射用肽通过皮下途径的生物利用度为95-100%。
猫具有非典型的肝脏代谢:CYP450酶活性低,葡萄糖醛酸化能力不足。
只有卡普罗瑞林(Entyce®)和胰岛素获得FDA/EMA批准用于兽医用途。所有其他肽均为超说明书用药。
最常见的是注射部位局部反应(疼痛、水肿、红斑),发生率为5-15%。
整合天然(膳食)和商业(合成)肽来源,为犬猫的代谢和再生管理(包括肝脂肪变性)提供了全面的方法。天然来源,如水解胶原蛋白、鲑鱼水解物和骨汤,提供日常的生物活性肽支持,安全性已确立,成本适中;而商业肽,如卡普罗瑞林、伊帕莫瑞林和MOTS-c,在特定疾病条件下发挥治疗作用,具有高效力和高生物利用度。
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NATURAL AND COMMERCIAL SOURCES OF BIOACTIVE PEPTIDES FOR DOGS AND CATS: COMPARATIVE DOSE TABLES, SCIENTIFIC BASIS AND CLINICAL APPLICATIONS
Authorship: Dr. Cláudio Amichetti Júnior (CRMV-SP 75.404 VT) and Dr. Gabriel Amichetti (CRMV-SP 45.592 VT) Petclube — São Paulo, SP, Brazil. May 2026.
Bioactive peptides are chains of 2 to 50 amino acids that exert specific biological activity when released by enzymatic hydrolysis during gastrointestinal digestion or by controlled industrial processing. They differ from intact proteins by their reduced size, which allows direct intestinal absorption and interaction with high-affinity cellular receptors. In veterinary medicine, interest in these molecules grows as their role in modulating inflammatory, metabolic, and regenerative processes becomes better understood, especially in chronic conditions such as feline hepatic lipidosis (FHL) and canine secondary hepatic steatosis.
Sources of bioactive peptides are divided into two major groups: natural dietary sources (hydrolyzed collagen, salmon hydrolysates, milk peptides, egg, meat, and bone broth) and synthetic or recombinant commercial sources (capromorelin, ipamorelin, tesamorelin, CJC-1295, retatrutide, BPC-157, TB-500, MOTS-c, among others). Both categories share mechanisms of action on the GH-IGF-1 axis, AMPK/mTOR signaling, inflammatory modulation, and tissue regeneration. The integration of these approaches represents a promising strategy for managing hepatic steatosis and other metabolic diseases in small animals, provided it is based on scientific evidence and adjusted to the physiological particularities of each species.
Hydrolyzed collagen is obtained by controlled enzymatic hydrolysis of type I, II, and III collagen, resulting in low molecular weight peptides (2–5 kDa), with predominance of the tripeptide glycine-proline-hydroxyproline (Gly-Pro-Hyp). These peptides are absorbed intact by the small intestine, accumulating preferentially in articular cartilage and bone tissue, where they stimulate extracellular matrix synthesis by activating fibroblasts and chondrocytes via integrin receptors. In dogs with osteoarthritis, supplementation with hydrolyzed collagen at a dose of 5 g/day reduced lameness and improved function within 12 weeks, as demonstrated by Blees et al. (2025) in the Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition and by a study published in PLOS ONE (2024) with the product PETAGILE®. For cats, the recommended dose is 1 to 3 g/day, with similar benefits for intestinal mucosal repair and coat quality.
Types of peptides: Gly-Pro-Hyp, type I, II, and III collagen peptides.
Mechanism of action: intact intestinal absorption, accumulation in cartilage and bone, activation of fibroblasts and chondrocytes via integrins.
Benefits for dogs and cats: joint regeneration, gastrointestinal support, skin and coat.
References: Blees et al. 2025 J Anim Physiol Anim Nutr; PLOS ONE 2024; Bhat et al. 2015 PMC4554628.
Hydrolyzed salmon protein is rich in bioactive peptide fractions with anti-inflammatory and visceral adipose tissue modulating action. The commercial product Salmigo® Protect L60 (Biomega, Norway) is a commercial example that demonstrated reduction of systemic inflammatory markers in cats and dogs, according to a clinical study conducted by Biomega in partnership with Passion4Feed (2023). These peptides act by reducing TNF-α and IL-6 expression in adipose tissue, promoting the replacement of glycerin in pet treats with high-quality protein ingredients. The anti-obesity potential is directly linked to the decrease in visceral adipose tissue inflammation, a central mechanism in the pathogenesis of hepatic steatosis.
Types of peptides: salmon peptide fractions (Salmigo® Protect L60).
Mechanism of action: reduction of inflammation in visceral adipose tissue, modulation of adipokines.
Benefits: reduction of systemic inflammation, metabolic support in obesity.
References: Biomega + Passion4Feed 2023; Feedstuffs 2023.
Milk-derived peptides are divided into two major categories: caseinophosphopeptides (CPP) from casein, and whey peptides such as lactalbumin, lactoferrin, and immunoglobulins. CPP act as calcium and phosphorus carriers, promoting dental and bone remineralization. Lactoferrin, in turn, exerts antimicrobial activity by iron chelation, in addition to modulating the immune response by increasing secretory IgA. Review studies (Bhat et al., 2015; MDPI, 2017) confirm the antioxidant, antihypertensive (ACE inhibition), and immunomodulatory activity of these peptides. In puppies and seniors, supplementation with whey hydrolysates can improve vaccine response and gastrointestinal protection.
Types of peptides: CPP, lactalbumin, lactoferrin, immunoglobulins.
Mechanism of action: antioxidant, antimicrobial (lactoferrin), immunomodulatory (↑ IgA), ACE inhibition.
Benefits: immune support, gastrointestinal protection, dental health.
References: Bhat et al. 2015 PMC4554628; MDPI Foods 2017.
Egg white and yolk contain bioactive peptides with high therapeutic potential. Notable ones include ovotransferrin (antimicrobial and antioxidant activity), lysozyme (antimicrobial), and specific egg white peptides such as RVPSLM, TPSPR, and QIGLF, with potent angiotensin-converting enzyme (ACE) inhibitory activity. Studies compiled by MDPI (2017) demonstrate that these peptides also have anticoagulant activity and provide hepatic protection against oxidative stress. For dogs and cats, egg peptides represent a natural source of cardiovascular and hepatic support, especially when integrated into balanced homemade diets.
Types of peptides: ovotransferrin, lysozyme, RVPSLM, TPSPR, QIGLF.
Mechanism of action: ACE inhibition, antioxidant, antimicrobial, anticoagulant.
Benefits: cardiovascular support, hepatic protection, natural antimicrobial.
References: MDPI Foods 2017; Bhat et al. 2015.
Meat hydrolysates, especially those derived from chicken, pork, and beef, are rich sources of the dipeptides carnosine (β-alanyl-L-histidine) and anserine (β-alanyl-1-methyl-L-histidine). Carnosine acts as an antioxidant chelating transition metals (copper, iron) and as an anti-glycation agent, inhibiting the formation of advanced glycation end products (AGEs). In athletic dogs, carnosine supplementation reduces muscle damage and systemic post-exercise inflammation. In seniors, cognitive protection and reduction of systemic inflammation are additional benefits. The review in Animal Frontiers(2024) and the PMC article (2020) on hydrolyzed animal by-product peptides confirm the safety and efficacy of these peptides in dogs and cats.
Types of peptides: carnosine, anserine, chicken/pork/beef hydrolysate peptides.
Mechanism of action: antioxidant chelating, anti-glycation, anti-inflammatory.
Benefits: muscle support, cognitive protection, inflammation reduction.
References: PMC 2020; Animal Frontiers 2024.
Fish hydrolysates (sardine, tuna, cod) and oyster hydrolysates (especially Magallana gigas) provide peptides with potent antioxidant and anti-inflammatory activity. The peptide VTAL (Val-Thr-Ala-Leu) isolated from oyster demonstrated, in a 2022 study (PMC9707094), protection of HepG2 liver cells against induced oxidative damage, reducing apoptosis and reactive oxygen species production. This mechanism is particularly relevant for hepatic steatosis, where oxidative stress is one of the main perpetuators of hepatocellular injury. In dogs and cats, marine peptides also exhibit antihypertensive and neuroprotective activity. The 2025 preprint on fish protein hydrolysates confirms their potential as functional ingredients in pet foods.
Types of peptides: VTAL (oyster), sardine/tuna/cod hydrolysate peptides.
Mechanism of action: antioxidant (HepG2 protection), antihypertensive, anti-inflammatory, neuroprotective.
Benefits: hepatic protection, cardiovascular support.
References: PMC9707094 2022; Preprints 2025.
Bone broth is a rich source of denatured collagen, gelatin, glycosaminoglycans (chondroitin, hyaluronic acid), and free amino acids such as glycine, proline, and hydroxyproline. During prolonged cooking (24–48 hours), collagen is hydrolyzed into low molecular weight gelatin peptides, which are absorbed directly by the intestine. Glycine, in particular, plays a fundamental role in maintaining intestinal tight junctions, reducing intestinal permeability. The PMC (2024) study on collagen hydrolysates in dogs with osteoarthritis confirms the clinical efficacy of bone broth as joint and intestinal support. The guidance dose is 10 to 30 mL/kg/day of homemade broth, adjusted to avoid excess sodium.
Types of peptides: denatured collagen, gelatin, glycosaminoglycans.
Mechanism of action: direct absorption of gelatin peptides, tight junction support (glycine), supply of proline/hydroxyproline.
Benefits: joint support, intestinal support, skin and coat.
References: PMC 2024 — Collagen hydrolysates canine OA.
The following table consolidates the main commercial peptides used in integrative veterinary medicine, with mechanism of action, orientative doses for dogs and cats, route of administration, main indication, and bibliographic sources. Doses for cats frequently require downward adjustment due to the species' atypical hepatic metabolism.
| Peptide | Mechanism | Dog Dose | Cat Dose | Route | Main Indication | Source/Study |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Capromorelin (Entyce®) | GHS-R1a agonist (ghrelin) → ↑ appetite + ↑ GH | 3 mg/kg PO 1x/day | 2-3 mg/kg PO 1x/day (off-label) | Oral | Anorexia, FHL | Zollers et al., 2016 JVIM; Rhodes 2017 BMC Vet Res; FDA approved; VCA Hospitals |
| Ipamorelin | GHS-R1a agonist → ↑ GH (up to 10x) + ↑ appetite | 100-200 mcg/kg SC 1-2x/day | 100-200 mcg/kg SC 1-2x/day | SC | FHL, anorexia, sarcopenia | Miguel et al., 2002 Eur J Anat |
| Tesamorelin | GHRH analog → ↑ GH + ↑ IGF-1 | 0.5-1 mg SC 3-5x/week (extrapolated from human) | 0.5-1 mg SC 3-5x/week | SC | FHL, visceral fat | Falutz NEJM 2007; Stanley JAMA 2014 |
| CJC-1295 (with DAC) | Long-acting GHRH analog (half-life 7-8 days) → sustained ↑ GH | 1-2 mg SC 1x/week (extrapolated) | 0.5-1 mg SC 1x/week | SC | Depressed GH axis, lipolysis | Jetté 2005 Endocrinology; Teichman 2006 JCEM |
| Retatrutide | Triple agonist GLP-1/GIP/glucagon → ↓ liver fat 43-58% | 4-8 mg SC 1x/week (human, no vet dose) | CONTRAINDICATED in acute FHL | SC | Obesity, steatosis prevention | Sanyal 2024 Nature Med; EJCEM 2026 |
| Liraglutide/Semaglutide | GLP-1 agonist → ↑ insulin + satiety | 0.3-0.6 mg/kg SC 1x/day (extrapolated) | CONTRAINDICATED in acute FHL | SC | Obesity, canine DM | Armstrong 2016 Lancet; Brown 2009 Vet Clin |
| BPC-157 (Body Protection Compound) | Gastric stable pentadecapeptide → ↑ VEGF, ↑ growth factor, modulates NF-κB | 5-15 mcg/kg SC/IM/PO 1x/day | 5-15 mcg/kg SC 1x/day | SC/IM/PO | GI repair, CCL tendinitis, wound healing | PMC9794587 PK dogs; AHVMA 2023; PetMatrx |
| TB-500 (Thymosin Beta-4) | Regulates actin, promotes cell migration, angiogenesis | 1-5 mg SC/IM 2x/week (2-4 weeks) | 0.5-2 mg SC 2x/week | SC/IM | Tendinopathy, CCL, wound healing | AHVMA 2023; Vet4Bulldog 2026 |
| Thymosin Alpha-1 | Immunomodulator → ↑ CD4+ T cells, ↓ inflammatory cytokines | 0.5-1.5 mg SC 2x/week | 0.5-1 mg SC 2x/week | SC | Immunosuppression, viral diseases | PMC7747025 review |
| GHK-Cu (Copper Peptide) | Glycyl-L-histidyl-L-lysine + copper complex → ↑ collagen synthesis + angiogenesis | 1-5 mg SC/week or topical | 1-3 mg SC/week | SC/Topical | Wound healing, coat, joints | PetMatrx 2025 |
| MOTS-c | Mitochondrial peptide → AMPK/AICAR → mitochondrial biogenesis + Bcl-2 + GLUT4 | 2-5 mg SC 2-3x/week (extrapolated human) | 2-3 mg SC 2-3x/week (speculative) | SC | Hepatic steatosis, mitochondrial function | Cell Metab 2015; Cell Reports 2023 NASH |
| AOD9604 | GH fragment (177-191) → ↑ lipolysis without ↑ glycemia | 1-3 mg SC/day (no established vet dose) | No data | SC | Obesity, visceral fat | Human studies (Metabolic) |
| Semax (Selanc) | ACTH(4-10) analog → neuroprotector + adaptogen | 200-600 mcg SC/intranasal 1x/day | No data | SC/IN | Stress, anxiety, cognition | Human and rat studies |
| Natural Source | Analog Commercial Peptide | Indication | Similar Mechanism |
|---|---|---|---|
| Bone broth (hydrolyzed collagen) | GHK-Cu, BPC-157 | Wound healing, joints | Proline/glycine supply + VEGF modulation |
| Salmon hydrolysate | MOTS-c, Retatrutide | Steatosis, adipose inflammation | Anti-inflammatory peptides, AMPK activation |
| Milk (lactoferrin) | Thymosin Alpha-1 | Immunomodulation | ↑ IgA, T cell activation |
| Meat (carnosine/anserine) | AOD9604, MOTS-c | Metabolism, antioxidant | Anti-glycation, AMPK |
| Egg (ovotransferrin) | BPC-157 | GI protection | Mucosal repair, antimicrobial activity |
Natural source peptides (hydrolyzed collagen, bone broth, salmon hydrolysates) are administered orally and have limited bioavailability (5-20% estimated) due to proteolytic degradation in the GI tract. However, their clinical efficacy is confirmed in randomized studies, especially for hydrolyzed collagen in canine osteoarthritis. Synthetic injectable peptides (capromorelin, ipamorelin, MOTS-c, BPC-157) have 95-100% bioavailability via subcutaneous route, allowing precise dosing and predictable effects.
Cats have atypical hepatic metabolism compared to dogs: low CYP450 enzyme activity, glucuronidation deficiency, and reduced drug metabolism capacity. This means injectable peptide doses in cats often need to be lower or administered at longer intervals. Oral capromorelin, for example, has an off-label dose for cats of 2-3 mg/kg, while in dogs it is 3 mg/kg. Safety data for all synthetic peptides in felines are lacking — use should be judicious and monitored.
Currently, only capromorelin (Entyce®) and insulin have FDA (USA) and EMA (Europe) approval for veterinary use. All other peptides mentioned in this document are used off-label, based on extrapolations from human studies, animal experimentation, and case reports. The veterinarian assumes full responsibility for the prescription, must inform the owner of the experimental nature of the treatment, and obtain written informed consent.
The most common adverse reactions associated with injectable peptides are local: pain, edema, and erythema at the injection site, with an incidence of 5-15%. Systemic reactions — such as nausea, vomiting, and hypoglycemia (related to GLP-1 agonists) — are less frequent but should be monitored. Rigorous aseptic technique is mandatory to prevent abscesses. Oral capromorelin has an excellent safety profile, with mild and self-limiting gastrointestinal side effects.
| Peptide/Source | Monthly Cost (20 kg dog) | Monthly Cost (5 kg cat) |
|---|---|---|
| Capromorelin (Entyce®) | R$ 200-400 | R$ 150-300 |
| Ipamorelin | R$ 600-1,200 | R$ 400-800 |
| MOTS-c | R$ 1,000-3,000 | R$ 800-2,000 |
| BPC-157 | R$ 500-1,000 | R$ 300-600 |
| TB-500 | R$ 400-800 | R$ 300-600 |
| Hydrolyzed collagen (natural) | R$ 80-200 | R$ 50-120 |
| Salmon hydrolysate | R$ 100-300 | R$ 60-200 |
| Homemade bone broth | R$ 40-100 | R$ 20-60 |
The integration of natural (dietary) and commercial (synthetic) peptide sources offers a comprehensive approach for metabolic and regenerative management in dogs and cats, including hepatic steatosis. Natural sources such as hydrolyzed collagen, salmon hydrolysate, and bone broth provide daily bioactive peptide support with established safety and affordable cost, while commercial peptides such as capromorelin, ipamorelin, and MOTS-c act therapeutically in specific conditions with high potency and bioavailability. The dose tables presented are orientative and based on the best available studies, but require individual clinical validation and adjustment to each patient's particularities. The choice between natural and synthetic sources should consider the clinical picture, therapeutic urgency, cost, and owner preference, always with scientific support and veterinary monitoring.
[1] Zollers B, et al. Capromorelin in dogs with reduced appetite. J Vet Intern Med. 2016;30(5):1531-1538.
[2] Rhodes L, et al. Capromorelin in Beagle dogs. BMC Vet Res. 2017;13:345.
[3] Miguel FD, et al. Ipamorelin stimulates GH release in dogs. Eur J Anat. 2002;6(Suppl 1):35-42.
[4] Lee C, et al. MOTS-c promotes metabolic homeostasis. Cell Metab. 2015;21(3):443-454.
[5] Cell Reports. MOTS-c interacts with Bcl-2 to alleviate NASH. 2023;42(6):112595.
[6] Falutz J, et al. Tesamorelin for HIV lipodystrophy. N Engl J Med. 2007;357(23):2359-2370.
[7] Stanley TL, et al. Tesamorelin reduces liver fat in HIV. JAMA. 2014;312(17):1791-1800.
[8] Jetté L, et al. CJC-1295 pharmacology in rats. Endocrinology. 2005;146(11):4900-4908.
[9] Sanyal AJ, et al. Retatrutide for NASH. Nat Med. 2024;30(1):152-160. [10] BPC-157 pharmacokinetics in dogs. PMC9794587. 2022. [11] Blees N, et al. Collagen hydrolysates in canine OA. J Anim Physiol Anim Nutr. 2025. [12] PLOS ONE. Bioactive Collagen Peptides improve gait in canine OA. 2024;19(9):e0308378.
[13] Bhat ZF, et al. Bioactive peptides of animal origin: a review. PMC4554628. 2015.
[14] MDPI. Bioactive Peptides in Animal Food Products. Foods. 2017;6(5):35. [15] Biomega Group. Salmon peptides replace glycerine in pet treats. Feedstuffs. 2023. [16] AHVMA. Integrative Approach to Canine Stifle Injuries. 2023;77(Stifles). [17] PMC11055259. Hydrolyzed animal byproducts peptides dogs cats. 2024. [18] Preprints. Fish Protein Hydrolysates in Pet Wellness. 2025. [19] PMC9707094. Oyster peptide VTAL protects HepG2 cells. 2022. [20] AHVMA 2023 — TB-500, BPC-157 in canine orthopedics. [21] PMC7747025 — Thymosin Alpha-1 review. [22] PetMatrx 2025 — GHK-Cu dosing guidelines. [23] Armstrong MJ, et al. Liraglutide for NASH. Lancet. 2016;387(10019):679-690.
[24] Brown SA, et al. GLP-1 agonists in canine diabetes. Vet Clin Small Anim. 2009;39(2):353-367.
[25] Teichman SL, et al. CJC-1295 phase I. J Clin Endocrinol Metab. 2006;91(5):1846-1852.
Авторы: д-р Клаудио Амикетти Жуниор (CRMV-SP 75.404 VT) и д-р Габриэль Амикетти (CRMV-SP 45.592 VT) Petclube — Сан-Паулу, SP, Бразилия. Май 2026 г.
Раздел 1. Введение
Биоактивные пептиды представляют собой цепочки из 2–50 аминокислот, которые проявляют специфическую биологическую активность при высвобождении в результате ферментативного гидролиза в процессе желудочно-кишечного переваривания или при контролируемой промышленной обработке. Они отличаются от интактных белков меньшим размером, что обеспечивает прямое всасывание в кишечнике и взаимодействие с высокоаффинными клеточными рецепторами. В ветеринарной медицине интерес к этим молекулам растет по мере углубления понимания их роли в модуляции воспалительных, метаболических и регенеративных процессов, особенно при хронических заболеваниях, таких как кошачий гепатический липидоз (КГЛ) и вторичная печеночная стеатоз собак.
Источники биоактивных пептидов делятся на две основные группы: природные диетические источники (гидролизованный коллаген, гидролизаты лосося, молочные пептиды, яйца, мясо, костный бульон) и синтетические или рекомбинантные коммерческие источники (капроморелин, ипаморелин, тесаморелин, CJC-1295, ретатрутид, BPC-157, TB-500, MOTS-c и другие). Обе категории имеют сходные механизмы действия на ось GH-IGF-1, сигнальные пути AMPK/mTOR, модуляцию воспаления и регенерацию тканей.
Раздел 2. Природные источники биоактивных пептидов
2.1 Гидролизованный коллаген (говяжий, свиной, морской, птичий)
Гидролизованный коллаген получают путем контролируемого ферментативного гидролиза коллагена I, II и III типов, что дает низкомолекулярные пептиды (2–5 кДа) с преобладанием трипептида глицин-пролин-гидроксипролин (Gly-Pro-Hyp). Эти пептиды всасываются интактными в тонком кишечнике, накапливаясь преимущественно в суставном хряще и костной ткани, где стимулируют синтез внеклеточного матрикса путем активации фибробластов и хондроцитов через интегриновые рецепторы. У собак с остеоартритом добавление гидролизованного коллагена в дозе 5 г/день уменьшало хромоту и улучшало функцию в течение 12 недель, как показано Blees et al. (2025) в Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition и в исследовании, опубликованном в PLOS ONE (2024) с продуктом PETAGILE. Для кошек рекомендуемая доза составляет 1–3 г/день.
Типы пептидов: Gly-Pro-Hyp, пептиды коллагена I, II, III типов.
Механизм действия: интактное всасывание в кишечнике, накопление в хряще и костях, активация фибробластов и хондроцитов через интегрины.
Польза для собак и кошек: регенерация суставов, поддержка желудочно-кишечного тракта, кожа и шерсть.
Ссылки: Blees et al. 2025 J Anim Physiol Anim Nutr; PLOS ONE 2024; Bhat et al. 2015 PMC4554628.
2.2 Гидролизованный белок лосося (лососевые пептиды)
Гидролизованный белок лосося богат фракциями биоактивных пептидов с противовоспалительным действием и модулирующим влиянием на висцеральную жировую ткань. Коммерческий продукт Salmigo Protect L60 (Biomega, Норвегия) продемонстрировал снижение системных маркеров воспаления у кошек и собак, согласно клиническому исследованию, проведенному Biomega в партнерстве с Passion4Feed (2023). Эти пептиды действуют путем снижения экспрессии TNF-альфа и IL-6 в жировой ткани.
Типы пептидов: фракции пептидов лосося (Salmigo Protect L60).
Механизм действия: снижение воспаления в висцеральной жировой ткани, модуляция адипокинов.
Польза: снижение системного воспаления, метаболическая поддержка при ожирении.
Ссылки: Biomega + Passion4Feed 2023; Feedstuffs 2023.
2.3 Молочные пептиды (казеин и сыворотка)
Пептиды, полученные из молока, делятся на две основные категории: казеинфосфопептиды (КФП) из казеина и сывороточные пептиды, такие как лактальбумин, лактоферрин и иммуноглобулины. КФП действуют как переносчики кальция и фосфора, способствуя реминерализации зубов и костей. Лактоферрин проявляет антимикробную активность за счет хелатирования железа, а также модулирует иммунный ответ, увеличивая секреторный IgA. Обзорные исследования (Bhat et al., 2015; MDPI, 2017) подтверждают антиоксидантную, антигипертензивную (ингибирование АПФ) и иммуномодулирующую активность этих пептидов.
Типы: КФП, лактальбумин, лактоферрин, иммуноглобулины.
Механизм: антиоксидантный, антимикробный, иммуномодулирующий, ингибирование АПФ.
Польза: иммунная поддержка, защита желудочно-кишечного тракта, здоровье зубов.
2.4 Яичные пептиды
Яичный белок и желток содержат биоактивные пептиды с высоким терапевтическим потенциалом. Из них выделяются овотрансферрин (антимикробная и антиоксидантная активность), лизоцим (антимикробный) и специфические пептиды яичного белка, такие как RVPSLM, TPSPR и QIGLF, обладающие мощной ингибирующей активностью в отношении ангиотензинпревращающего фермента (АПФ). Исследования, собранные MDPI (2017), демонстрируют антикоагулянтную активность и защиту печени от окислительного стресса.
Типы: овотрансферрин, лизоцим, RVPSLM, TPSPR, QIGLF.
Механизм: ингибирование АПФ, антиоксидантный, антимикробный, антикоагулянтный.
Польза: поддержка сердечно-сосудистой системы, защита печени, природный антимикробный эффект.
2.5 Мясные пептиды (гидролизованные субпродукты и побочные продукты животного происхождения)
Гидролизаты мяса, особенно из курицы, свинины и говядины, являются богатыми источниками дипептидов карнозина (бета-аланил-L-гистидин) и ансерина (бета-аланил-1-метил-L-гистидин). Карнозин действует как антиоксидант, хелатируя переходные металлы (медь, железо), и как агент против гликирования.
Типы: карнозин, ансерин, гидролизаты курицы/свинины/говядины.
Механизм: антиоксидантное хелатирование, антигликирование, противовоспалительное действие.
Польза: поддержка мышц, когнитивная защита, снижение воспаления.
2.6 Пептиды морского происхождения (рыба, устрицы, криль)
Гидролизаты рыбы (сардина, тунец, треска) и устриц (особенно Magallana gigas) содержат пептиды с мощной антиоксидантной и противовоспалительной активностью. Пептид VTAL (Val-Thr-Ala-Leu), выделенный из устриц, продемонстрировал в исследовании 2022 года (PMC9707094) защиту клеток печени HepG2 от индуцированного окислительного повреждения.
Типы: VTAL (устрица), гидролизаты сардины/тунца/трески.
Механизм: антиоксидантный, антигипертензивный, противовоспалительный, нейропротекторный.
Польза: защита печени, поддержка сердечно-сосудистой системы.
2.7 Костный бульон как природный источник пептидов
Костный бульон является богатым источником денатурированного коллагена, желатина, гликозаминогликанов (хондроитин, гиалуроновая кислота) и свободных аминокислот, таких как глицин, пролин и гидроксипролин. При длительной варке (24–48 часов) коллаген гидролизуется до низкомолекулярных пептидов желатина. Рекомендуемая доза: 10–30 мл/кг/день домашнего бульона.
Типы: денатурированный коллаген, желатин, гликозаминогликаны.
Механизм: прямое всасывание пептидов желатина, поддержка плотных контактов (глицин).
Польза: поддержка суставов, кишечника, кожи и шерсти.
Раздел 3. Коммерческие/терапевтические пептиды и сравнительная таблица дозировок
Каждый пептид представлен в виде отдельного блока текста без разделительных линий:
Капроморелин (Энтайс) — агонист GHS-R1a (грелин) — аппетит + увеличение GH Доза для собак: 3 мг/кг внутрь один раз в день
Доза для кошек: 2–3 мг/кг внутрь один раз в день (офф-лейбл)
Путь введения: оральный
Основное показание: анорексия, КГЛ
Источник: Zollers et al. 2016 JVIM; Rhodes 2017 BMC Vet Res; одобрено FDA
Ипаморелин — агонист GHS-R1a — GH до 10 раз + повышение аппетита Доза для собак: 100–200 мкг/кг подкожно 1–2 раза в день
Доза для кошек: 100–200 мкг/кг подкожно 1–2 раза в день
Путь введения: подкожно
Основное показание: КГЛ, анорексия, саркопения
Источник: Miguel et al. 2002 Eur J Anat
Тесаморелин — аналог GHRH — увеличение GH + IGF-1 Доза для собак: 0,5–1 мг подкожно 3–5 раз в неделю (экстраполировано)
Доза для кошек: 0,5–1 мг подкожно 3–5 раз в неделю
Путь введения: подкожно
Основное показание: КГЛ, висцеральный жир
Источник: Falutz NEJM 2007; Stanley JAMA 2014
CJC-1295 (с DAC) — длительно действующий аналог GHRH (период полувыведения 7–8 дней) — устойчивое повышение GH Доза для собак: 1–2 мг подкожно 1 раз в неделю (экстраполировано)
Доза для кошек: 0,5–1 мг подкожно 1 раз в неделю
Путь введения: подкожно
Основное показание: угнетенная ось GH, липолиз
Источник: Jette 2005 Endocrinology; Teichman 2006 JCEM
Ретатрутид — тройной агонист GLP-1/GIP/глюкагон — снижение жира печени на 43–58% Доза для собак: 4–8 мг подкожно 1 раз в неделю (человеческая доза, нет ветеринарных данных)
Доза для кошек: ПРОТИВОПОКАЗАН при остром КГЛ
Путь введения: подкожно
Основное показание: ожирение, профилактика стеатоза
Источник: Sanyal 2024 Nature Med
Лираглутид/семаглутид — агонисты GLP-1 — повышение инсулина + насыщения Доза для собак: 0,3–0,6 мг/кг подкожно 1 раз в день (экстраполировано)
Доза для кошек: ПРОТИВОПОКАЗАН при остром КГЛ
Путь введения: подкожно
Основное показание: ожирение, сахарный диабет собак
Источник: Armstrong 2016 Lancet
BPC-157 — желудочно-стабильный пентадекапептид — увеличение VEGF, модуляция NF-kB Доза для собак: 5–15 мкг/кг подкожно/внутримышечно/внутрь 1 раз в день
Доза для кошек: 5–15 мкг/кг подкожно 1 раз в день
Путь введения: подкожно/внутримышечно/внутрь
Основное показание: восстановление ЖКТ, разрыв крестообразной связки, заживление ран
Источник: PMC9794587
TB-500 (тимозин бета-4) — регуляция актина, миграция клеток, ангиогенез Доза для собак: 1–5 мг подкожно/внутримышечно 2 раза в неделю (2–4 недели)
Доза для кошек: 0,5–2 мг подкожно 2 раза в неделю
Путь введения: подкожно/внутримышечно
Основное показание: тендинопатия, разрыв крестообразной связки, заживление ран
Источник: AHVMA 2023
Тимозин альфа-1 — иммуномодулятор — увеличение CD4+ Т-клеток Доза для собак: 0,5–1,5 мг подкожно 2 раза в неделю
Доза для кошек: 0,5–1 мг подкожно 2 раза в неделю
Путь введения: подкожно
Основное показание: иммуносупрессия, вирусные заболевания
Источник: PMC7747025
GHK-Cu (медный пептид) — увеличение синтеза коллагена Доза для собак: 1–5 мг подкожно в неделю или местно
Доза для кошек: 1–3 мг подкожно в неделю
Путь введения: подкожно/местно
Основное показание: заживление ран, шерсть, суставы
Источник: PetMatrx 2025
MOTS-c — митохондриальный пептид — AMPK/AICAR — биогенез митохондрий + Bcl-2 + GLUT4 Доза для собак: 2–5 мг подкожно 2–3 раза в неделю (экстраполировано с человека)
Доза для кошек: 2–3 мг подкожно 2–3 раза в неделю (предположительно)
Путь введения: подкожно
Основное показание: печеночный стеатоз, функция митохондрий
Источник: Cell Metab 2015; Cell Reports 2023 NASH
AOD9604 — фрагмент GH (177–191) — липолиз без повышения гликемии Доза для собак: 1–3 мг подкожно в день (нет ветеринарной дозы)
Путь введения: подкожно
Основное показание: ожирение, висцеральный жир
Источник: исследования на людях
Семакс (Селанк) — аналог АКТГ(4-10) — нейропротектор + адаптоген Доза для собак: 200–600 мкг подкожно/интраназально 1 раз в день
Путь введения: подкожно/интраназально
Основное показание: стресс, тревога, когнитивные функции
Источник: исследования на людях и крысах
Раздел 4. Корреляция: природный источник против коммерческого пептида
Костный бульон (гидролизованный коллаген) — GHK-Cu, BPC-157 — заживление ран, суставы — поставка пролина/глицина + модуляция VEGF Гидролизат лосося — MOTS-c, ретатрутид — стеатоз, воспаление жировой ткани — противовоспалительные пептиды, активация AMPK Молоко (лактоферрин) — тимозин альфа-1 — иммуномодуляция — повышение IgA, активация Т-клеток Мясо (карнозин/ансерин) — AOD9604, MOTS-c — метаболизм, антиоксидант — антигликирование, AMPK Яйцо (овотрансферрин) — BPC-157 — защита ЖКТ — восстановление слизистой, антимикробная активность
Раздел 5. Важные клинические соображения
5.1 Биодоступность: Пептиды из природных источников принимаются внутрь и имеют ограниченную биодоступность (по оценкам 5–20%). Синтетические инъекционные пептиды имеют биодоступность 95–100% при подкожном введении.
5.2 Метаболические особенности кошек: У кошек нетипичный метаболизм печени: низкая активность ферментов CYP450, дефицит глюкуронизации.
5.3 Регуляторные аспекты: Только капроморелин (Энтайс) и инсулин имеют одобрение FDA/EMA для ветеринарного применения. Все остальные пептиды используются офф-лейбл.
5.4 Безопасность: Наиболее распространены местные реакции (боль, отек, эритема) в месте инъекции (частота 5–15%).
5.5 Ориентировочная ежемесячная стоимость (BRL, май 2026):
Капроморелин: 200–400 реалов (собака 20 кг) / 150–300 реалов (кошка 5 кг)
Ипаморелин: 600–1 200 реалов / 400–800 реалов
MOTS-c: 1 000–3 000 реалов / 800–2 000 реалов
BPC-157: 500–1 000 реалов / 300–600 реалов
TB-500: 400–800 реалов / 300–600 реалов
Гидролизованный коллаген: 80–200 реалов / 50–120 реалов
Гидролизат лосося: 100–300 реалов / 60–200 реалов
Костный бульон: 40–100 реалов / 20–60 реалов
Раздел 6. Заключение
Интеграция природных и коммерческих источников пептидов предлагает комплексный подход к метаболическому и регенеративному лечению собак и кошек, включая печеночный стеатоз. Природные источники, такие как гидролизованный коллаген, гидролизат лосося и костный бульон, обеспечивают ежедневную поддержку биоактивными пептидами с установленной безопасностью и доступной стоимостью, в то время как коммерческие пептиды, такие как капроморелин, ипаморелин и MOTS-c, действуют терапевтически при специфических состояниях с высокой эффективностью и биодоступностью.
Раздел 7. Ссылки (25 ссылок, сохранена оригинальная нумерация)
Autores
Dr. Cláudio Amichetti Júnior¹
Dr. Gabriel Amichetti²
Afiliações
¹ Médico-veterinário integrativo. CRMV-SP 75.404 VT. MAPA 00129461/2025. CREA 060149829-SP.
² Médico-veterinário. CRMV-SP 45.592 VT. Especialista em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais.
As doenças infecciosas respiratórias em gatos constituem um dos principais desafios da clínica de pequenos animais, especialmente em ambientes com alta densidade populacional, estresse e falhas de biossegurança. Entre os agentes mais relevantes do Complexo Respiratório Felino destacam-se o Feline Calicivirus, o Feline Herpesvirus-1 e a bactéria Chlamydia felis. Esses agentes estão associados a sinais clínicos respiratórios superiores, manifestações oculares, anorexia, dor e, em casos graves, comprometimento sistêmico. Além da relevância individual, essas enfermidades possuem grande importância epidemiológica em colônias de gatos ferais, abrigos, gatis e em animais com acesso livre à rua, que podem atuar como reservatórios, amplificadores e disseminadores de agentes infecciosos. Este artigo de revisão narrativa discute os principais aspectos etiológicos, clínicos, diagnósticos, terapêuticos e preventivos, com ênfase no impacto populacional dessas doenças em felinos domiciliados e não domiciliados.
Palavras-chave: gatos; complexo respiratório felino; calicivirose; herpesvirose; clamidiose; felinos ferais; zoonoses indiretas.
As doenças respiratórias infecciosas em felinos domésticos têm elevada relevância clínica e sanitária. Na prática veterinária, são causas frequentes de atendimento, principalmente em filhotes, animais imunossuprimidos e gatos mantidos em ambientes coletivos ou de alta rotatividade.
O chamado Complexo Respiratório Felino inclui, de forma predominante, a calicivirose felina, a herpesvirose felina e a clamidiose felina. Embora compartilhem sinais clínicos semelhantes em muitos casos, cada agente apresenta características próprias de transmissão, patogênese e evolução.
A importância dessas enfermidades vai além do indivíduo acometido. Em colônias urbanas, abrigos, gatis e lares com múltiplos gatos, elas se tornam problemas de saúde populacional, com manutenção contínua da circulação dos agentes. Nesses cenários, felinos ferais, gatos semidomiciliados e animais com acesso à rua assumem papel central na dinâmica epidemiológica.
A calicivirose felina é causada pelo Feline Calicivirus (FCV), um vírus altamente contagioso e amplamente distribuído em populações felinas.
As úlceras orais, especialmente na língua, são um achado clássico e ajudam a diferenciar a doença de outros quadros respiratórios felinos.
O vírus pode permanecer por algum tempo no ambiente, o que favorece sua persistência em locais com grande concentração de gatos.
O FCV infecta principalmente:
A inflamação intensa gera dor oral importante, levando à redução de ingestão alimentar e, em filhotes, a risco rápido de desidratação.
A herpesvirose felina é causada pelo Feline Herpesvirus-1 (FHV-1), principal agente da rinotraqueíte felina.
O tropismo do vírus por olhos, conjuntiva e cavidade nasal explica a predominância de sinais oculares e respiratórios superiores.
Uma característica fundamental do FHV-1 é sua capacidade de permanecer latente no organismo e reativar em situações de estresse.
Fatores associados à reativação:
Após a infecção, o gato pode se tornar portador permanente e eliminar o vírus de forma intermitente.
A clamidiose felina é causada por Chlamydia felis, bactéria intracelular obrigatória que acomete principalmente conjuntiva e vias respiratórias superiores.
Em comparação com o herpesvírus, a clamidiose costuma apresentar manifestações oculares mais marcantes do que respiratórias.
Por ser intracelular obrigatória, a bactéria pode persistir no hospedeiro e exigir terapia específica e prolongada.
Apesar de integrarem o mesmo complexo, os agentes têm apresentações típicas distintas:
Na prática clínica, coinfecções são frequentes, e um mesmo gato pode apresentar mais de um agente simultaneamente.
O diagnóstico pode envolver:
A interpretação diagnóstica deve considerar:
Em populações coletivas, a coinfecção deve ser sempre suspeitada.
O tratamento depende da gravidade do quadro e do agente envolvido, podendo incluir:
Em uma abordagem veterinária integrativa, podem ser considerados, conforme avaliação clínica:
Essas medidas não substituem o tratamento convencional, mas podem atuar como suporte complementar.
A principal estratégia preventiva é a vacinação. As vacinas tríplices e quádruplas felinas geralmente protegem contra:
Algumas formulações também incluem clamídia, conforme risco epidemiológico.
Outras medidas fundamentais:
Felinos ferais, gatos errantes e animais sem acompanhamento veterinário regular podem atuar como reservatórios importantes do Complexo Respiratório Felino. Em geral, esses animais apresentam:
Do ponto de vista epidemiológico, podem sustentar a circulação contínua de FCV, FHV-1 e Chlamydia felis em áreas urbanas e periurbanas.
Gatos que saem à rua têm maior risco de:
Esses animais podem funcionar como ponte epidemiológica entre ambientes externos e lares com múltiplos gatos, introduzindo patógenos em domicílios antes livres desses agentes.
O estresse é um elemento central na expressão clínica e na reativação das doenças respiratórias felinas, especialmente na herpesvirose. Em felinos ferais e em gatos com livre acesso à rua, o estresse tende a ser mais intenso por:
Esse cenário favorece imunossupressão relativa, recorrência de sinais clínicos e manutenção da circulação dos agentes.
As doenças respiratórias felinas não devem ser interpretadas apenas como enfermidades individuais, mas como um fenômeno de saúde populacional. Em colônias de gatos ferais, abrigos, gatis e lares multicat, a persistência de agentes infecciosos depende da interação entre agente, hospedeiro e ambiente.
Os felinos ferais frequentemente não recebem vacinação regular, não passam por exames periódicos e vivem sob condições ambientais desfavoráveis. Isso aumenta a probabilidade de exposição, infecção, eliminação viral/bacteriana e disseminação para outros animais. Além disso, a convivência com brigas, acasalamento, disputa por alimento e abrigo intensifica o estresse e reduz a resistência orgânica.
Gatos com acesso à rua merecem atenção especial, pois podem adquirir e levar agentes infecciosos para dentro de domicílios. Em casas com mais de um gato, um único animal que circula externamente pode comprometer todo o grupo, sobretudo quando há filhotes, idosos ou animais imunossuprimidos.
Outro ponto importante é que a manifestação clínica depende não apenas do agente, mas também da suscetibilidade do hospedeiro. Mesmo infecções subclínicas em gatos aparentemente saudáveis podem representar fonte relevante de transmissão para indivíduos frágeis.
Nesse contexto, o controle efetivo do Complexo Respiratório Felino exige uma abordagem integrada, que inclua:
Portanto, felinos ferais e gatos com acesso externo devem ser compreendidos como componentes de uma rede epidemiológica mais ampla, capaz de sustentar a permanência dos agentes infecciosos em determinada região.
Filhotes, idosos e gatos imunossuprimidos apresentam maior risco de complicações, como:
Sinais como espirros persistentes, secreção ocular, febre, redução do apetite e úlceras orais devem ser valorizados e investigados precocemente.
As doenças infecciosas respiratórias em gatos, especialmente calicivirose, herpesvirose e clamidiose, possuem elevada importância clínica e epidemiológica. Seu controle depende do reconhecimento das particularidades de cada agente, do diagnóstico adequado, do tratamento individualizado e da prevenção baseada em vacinação, manejo sanitário e redução do estresse.
Em populações de felinos ferais e em gatos com acesso à rua, o risco de manutenção e disseminação desses agentes é ainda maior, tornando indispensável uma abordagem que una clínica, prevenção, bem-estar animal e controle populacional.
ARS Veterinaria. Complexo respiratório felino: principais agentes infecciosos. ARS Veterinaria, Jaboticabal, v. 28, n. 3, p. 169-176, 2012.
Feline Calicivirus Infection: Current Understanding and Implications for Control Strategies. Animals, Basel, v. 15, n. 14, art. 2009, 2025. DOI: 10.3390/ani15142009.
GRUFFYDD-JONES, T. et al. Chlamydophila felis infection: ABCD guidelines on prevention and management. Journal of Feline Medicine and Surgery, 2009.
TARANNUM, A.; WANG, C. Feline Herpesvirus 1 (FHV-1) Infection: Pathogenesis, Clinical Manifestations, and Emerging Therapeutic Strategies. Springer Nature, 2016.
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Certo.# Feline Respiratory Infectious Diseases: Feline Respiratory Disease Complex and the Epidemiological Impact of Feral and Outdoor-Access Cats
Authors
Dr. Cláudio Amichetti Júnior¹
Dr. Gabriel Amichetti²
Affiliations
¹ Integrative Veterinarian. CRMV-SP 75.404 VT. MAPA 00129461/2025. CREA 060149829-SP.
² Veterinarian. CRMV-SP 45.592 VT. Specialist in Orthopedics and Small Animal Surgery.
Feline respiratory infectious diseases are among the most common and clinically relevant conditions in small animal practice, particularly in high-density environments, shelters, catteries, and multi-cat households. The Feline Respiratory Disease Complex is mainly associated with feline calicivirus, feline herpesvirus-1, and Chlamydia felis. These agents are linked to upper respiratory signs, ocular disease, anorexia, pain, and, in severe cases, systemic compromise. Beyond individual clinical relevance, these infections have major epidemiological importance in feral cat colonies, shelters, and outdoor-access cats, which may act as reservoirs, amplifiers, and disseminators of infectious agents. This narrative review discusses the main etiological, clinical, diagnostic, therapeutic, and preventive aspects of these diseases, with emphasis on their population-level impact in domiciled and non-domiciled cats.
Keywords: cats; feline respiratory disease complex; calicivirus; herpesvirus; chlamydiosis; feral cats.
Infectious respiratory diseases in cats are of major clinical and sanitary importance. In veterinary practice, they are frequent causes of consultation, especially in kittens, immunosuppressed animals, and cats living in collective or highly dynamic environments.
The so-called Feline Respiratory Disease Complex includes, predominantly, feline calicivirus infection, feline herpesvirus infection, and feline chlamydiosis. Although these agents may produce overlapping clinical signs, each one has distinct biological, transmission, and pathological characteristics.
The relevance of these diseases extends beyond the affected individual. In urban colonies, shelters, catteries, and multi-cat households, they become population health problems, maintaining continuous circulation of pathogens. In such settings, feral cats, semi-owned cats, and outdoor-access cats play a central role in epidemiological dynamics.
Feline calicivirus infection is caused by feline calicivirus (FCV), a highly contagious RNA virus widely distributed in feline populations.
The most common clinical signs include:
Oral ulcers, especially on the tongue, are a classic clinical finding and help distinguish the disease from other feline respiratory conditions.
Transmission occurs through:
The virus may persist in the environment for some time, favoring its maintenance in places with high feline density.
FCV primarily affects:
Intense inflammation causes significant oral pain, leading to reduced food intake and, in kittens, rapid dehydration.
Feline herpesvirus infection is caused by feline herpesvirus-1 (FHV-1), the main agent of feline viral rhinotracheitis.
The most frequent clinical signs are:
The virus has a strong tropism for the eyes, conjunctiva, and nasal cavity, which explains the predominance of ocular and upper respiratory signs.
A key characteristic of FHV-1 is its ability to remain latent in the host and reactivate during stress.
Factors associated with reactivation include:
After infection, the cat may become a lifelong carrier and intermittently shed the virus.
Feline chlamydiosis is caused by Chlamydia felis, an obligate intracellular bacterium that primarily affects the conjunctiva and upper respiratory tract.
The most common signs include:
Compared with herpesvirus infection, chlamydiosis tends to produce more prominent ocular signs than respiratory ones.
Transmission occurs through:
As an obligate intracellular organism, the bacterium may persist in the host and require targeted and prolonged therapy.
Although all three agents belong to the same respiratory disease complex, they have typical distinguishing features:
In clinical practice, however, coinfections are common, and a single cat may harbor more than one agent simultaneously.
Diagnosis may include:
Diagnostic interpretation should consider:
In group settings, coinfection should always be suspected.
Treatment depends on the severity of the condition and the causative agent and may include:
From an integrative veterinary perspective, adjuvant measures may include:
These measures do not replace conventional treatment but may serve as complementary support.
Vaccination is the main preventive strategy. Trivalent and quadrivalent feline vaccines generally protect against:
Some formulations also include chlamydia, depending on epidemiological risk.
Other essential measures include:
Feral cats, stray cats, and animals without regular veterinary follow-up may serve as important reservoirs of Feline Respiratory Disease Complex agents. In general, these cats have:
From an epidemiological standpoint, they may sustain the continuous circulation of FCV, FHV-1, and Chlamydia felis in urban and peri-urban areas.
Cats that roam outdoors are at increased risk of:
These animals may function as epidemiological bridges between outdoor environments and multi-cat households, introducing pathogens into previously unaffected homes.
Stress is a central element in the clinical expression and reactivation of feline respiratory diseases, especially herpesvirus infection. In feral cats and outdoor-access cats, stress tends to be more intense due to:
This scenario favors relative immunosuppression, recurrence of clinical signs, and continued circulation of pathogens.
Feline respiratory diseases should not be interpreted only as individual illnesses, but also as a population health phenomenon. In feral colonies, shelters, catteries, and multi-cat households, pathogen persistence depends on the interaction among agent, host, and environment.
Feral cats often lack regular vaccination, do not undergo periodic examinations, and live under unfavorable environmental conditions. This increases the likelihood of exposure, infection, shedding, and dissemination to other animals. In addition, fighting, mating, competition for food, and scarcity of shelter increase stress and weaken host defenses.
Outdoor-access cats require special attention because they may acquire and bring infectious agents back into households. In homes with multiple cats, a single cat that roams outdoors can compromise the entire group, especially when kittens, senior cats, or immunocompromised animals are present.
Another important point is that clinical expression depends not only on the agent, but also on host susceptibility. Even subclinical infections in apparently healthy cats may represent a relevant source of transmission for vulnerable individuals.
In this context, effective control of the Feline Respiratory Disease Complex requires an integrated approach, including:
Therefore, feral cats and outdoor-access cats should be understood as components of a broader epidemiological network capable of sustaining the persistence of infectious agents in a given region.
Kittens, senior cats, and immunosuppressed cats are at greater risk of complications such as:
Signs such as persistent sneezing, ocular discharge, fever, reduced appetite, and oral ulcers should always be investigated promptly.
Infectious respiratory diseases in cats, especially feline calicivirus infection, feline herpesvirus infection, and feline chlamydiosis, have high clinical and epidemiological importance. Their control depends on recognizing the particularities of each agent, making an accurate diagnosis, applying individualized treatment, and preventing disease through vaccination, sanitary management, and stress reduction.
In feral cat populations and in cats with outdoor access, the risk of maintenance and spread of these agents is even greater, making it essential to adopt an approach that integrates clinical care, prevention, animal welfare, and population control.
ARS Veterinaria. Complexo respiratório felino: principais agentes infecciosos. ARS Veterinaria, Jaboticabal, v. 28, n. 3, p. 169-176, 2012.
Feline Calicivirus Infection: Current Understanding and Implications for Control Strategies. Animals, Basel, v. 15, n. 14, art. 2009, 2025. DOI: 10.3390/ani15142009.
Gruffydd-Jones, T. et al. Chlamydophila felis infection: ABCD guidelines on prevention and management. Journal of Feline Medicine and Surgery, 2009.
Tarannum, A.; Wang, C. Feline Herpesvirus 1 (FHV-1) Infection: Pathogenesis, Clinical Manifestations, and Emerging Therapeutic Strategies. Springer Nature, 2016.
Estou trabalhando nisso. A tradução de artigos técnicos exige atenção aos detalhes.
当然。以下是同一篇文章的中文版本,保留了作者信息与学术结构。
作者
Cláudio Amichetti Júnior 医生¹
Gabriel Amichetti 医生²
单位
¹ 综合兽医。CRMV-SP 75.404 VT。MAPA 00129461/2025。CREA 060149829-SP。
² 兽医。CRMV-SP 45.592 VT。小动物骨科与外科专科。
猫呼吸道感染性疾病是小动物临床中最常见且最具临床意义的疾病之一,尤其多见于高密度饲养环境、收容所、猫舍以及多猫家庭。猫呼吸道疾病综合征主要与猫杯状病毒、猫疱疹病毒-1型和猫衣原体相关。这些病原体可引起上呼吸道症状、眼部病变、厌食、疼痛,在严重情况下甚至导致全身性损害。除个体临床意义外,这些感染在流浪猫群、收容所及可自由外出的猫群中具有重要流行病学意义,这些动物可作为病原体的储存宿主、放大器和传播者。本文为叙述性综述,讨论这些疾病的主要病因学、临床、诊断、治疗和预防方面,并强调其在家养与非家养猫群中的群体层面影响。
关键词: 猫;猫呼吸道疾病综合征;杯状病毒;疱疹病毒;衣原体病;流浪猫。
猫的感染性呼吸道疾病在兽医临床中具有重要的临床与公共卫生意义。在实际诊疗中,这类疾病常见于幼猫、免疫抑制动物以及生活在群体环境或高度流动环境中的猫。
所谓“猫呼吸道疾病综合征”主要包括猫杯状病毒感染、猫疱疹病毒感染以及猫衣原体感染。尽管这些病原体在临床表现上存在重叠,但其生物学特性、传播方式和病理过程各不相同。
这些疾病的重要性并不仅限于患病个体。在城市猫群、收容所、猫舍和多猫家庭中,它们会成为群体健康问题,使病原体持续循环。在这些环境中,流浪猫、半家养猫和可自由外出的猫,在流行病学动态中扮演核心角色。
猫杯状病毒感染由猫杯状病毒(FCV)引起,这是一种高度传染性的RNA病毒,广泛分布于猫群中。
最常见的临床表现包括:
其中,尤其是舌部的口腔溃疡,是该病的经典临床特征,有助于与其他猫呼吸道疾病相鉴别。
传播途径包括:
病毒可在环境中存留一段时间,因此在猫密度较高的场所容易持续传播。
FCV主要侵袭:
剧烈炎症可导致明显口腔疼痛,进而减少采食,在幼猫中可迅速引起脱水。
猫疱疹病毒感染由猫疱疹病毒-1型(FHV-1)引起,是猫病毒性鼻气管炎的主要病因。
常见症状包括:
该病毒对眼部、结膜和鼻腔具有强烈嗜性,这解释了其以眼部和上呼吸道症状为主的临床表现。
FHV-1的一个关键特征是可在宿主体内保持潜伏,并在应激状态下再激活。
与再激活相关的因素包括:
感染后,猫可能成为终生携带者,并间歇性排毒。
猫衣原体感染由猫衣原体(Chlamydia felis)引起,这是一种专性细胞内细菌,主要影响结膜和上呼吸道。
最常见表现包括:
与疱疹病毒感染相比,衣原体病更突出的是眼部症状,而非呼吸道症状。
传播途径包括:
由于其为专性细胞内病原体,因此可在宿主体内持续存在,并常需要针对性且较长时间的治疗。
尽管这三种病原体都属于同一呼吸道疾病综合征,但它们各有典型特征:
然而在临床实践中,混合感染十分常见,同一只猫可能同时携带多个病原体。
诊断可包括:
诊断解释时应考虑:
在群体环境中,应始终考虑混合感染的可能性。
治疗取决于病情严重程度和具体病原体,可包括:
从整合兽医的角度,还可在临床评估后考虑以下辅助措施:
这些措施不能替代常规治疗,但可作为辅助支持。
疫苗接种是最主要的预防措施。三联或四联猫疫苗通常可预防:
部分疫苗配方还可根据流行病学风险加入衣原体成分。
其他重要预防措施包括:
流浪猫、无固定照护猫以及缺乏定期兽医随访的猫,可能成为猫呼吸道疾病综合征病原体的重要储存宿主。一般而言,这些猫往往具有:
从流行病学角度看,它们可在城市和近郊地区持续维持FCV、FHV-1和Chlamydia felis的循环。
经常外出的猫更容易:
这类猫可作为室外环境与多猫家庭之间的流行病学桥梁,将病原体带入原本未受影响的家庭。
应激是猫呼吸道疾病临床表现和再激活的核心因素,尤其是在疱疹病毒感染中。流浪猫和可自由外出的猫所承受的应激通常更强,原因包括:
这种情况会导致相对免疫抑制、临床症状反复以及病原体持续循环。
猫呼吸道疾病不应仅仅被视为个体疾病,而应被理解为一种群体健康现象。在流浪猫群、收容所、猫舍和多猫家庭中,病原体的持续存在取决于病原体、宿主和环境之间的相互作用。
流浪猫往往缺乏规律疫苗接种,未进行定期检查,并生活在不利的环境条件下。这会增加暴露、感染、排毒以及向其他动物传播的可能性。此外,打斗、交配、争夺食物和庇护所的稀缺,会增加应激并削弱宿主防御能力。
可外出猫尤其值得关注,因为它们可能在外部环境中感染病原体,并将其带回家庭。在有多只猫的家庭中,一只经常外出的猫就可能危及整个群体,尤其当家中存在幼猫、老年猫或免疫功能低下的猫时。
另一个重要问题是,临床表现不仅取决于病原体本身,也取决于宿主易感性。即使是表面健康、无明显症状的感染,也可能成为脆弱个体的重要感染源。
因此,控制猫呼吸道疾病综合征需要综合策略,包括:
因此,流浪猫和可外出猫应被视为更广泛流行病学网络的一部分,这一网络可在特定地区维持病原体的持续存在。
幼猫、老年猫和免疫抑制猫更容易出现并发症,例如:
持续打喷嚏、眼部分泌物、发热、食欲下降和口腔溃疡等症状都应尽早检查。
猫的感染性呼吸道疾病,尤其是猫杯状病毒感染、猫疱疹病毒感染和猫衣原体感染,具有高度的临床与流行病学重要性。其控制依赖于对每种病原体特点的识别、准确诊断、个体化治疗,以及通过疫苗接种、卫生管理和应激控制进行预防。
在流浪猫群和可外出的猫中,这些病原体的维持与传播风险更高,因此必须采用融合临床照护、预防、动物福利和群体控制的综合方法。
ARS Veterinaria. 猫呼吸综合征:主要感染性病原体。ARS Veterinaria,Jaboticabal,2012,28(3):169-176。
Feline Calicivirus Infection: Current Understanding and Implications for Control Strategies. Animals,Basel,2025,15(14):2009. DOI: 10.3390/ani15142009。
Gruffydd-Jones, T. et al. Chlamydophila felis infection: ABCD guidelines on prevention and management. Journal of Feline Medicine and Surgery,2009。
Tarannum, A.; Wang, C. Feline Herpesvirus 1 (FHV-1) Infection: Pathogenesis, Clinical Manifestations, and Emerging Therapeutic Strategies. Springer Nature,2016。
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