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Autor: Dr. Cláudio Amichetti Júnior, Médico Veterinário Integrativo e engenheiro agrônomo sustentável. Data: 18 de dezembro 2020
A Nepeta cataria, popularmente conhecida como erva-de-gato ou catnip, é amplamente reconhecida por induzir uma resposta comportamental única e pronunciada em uma parcela significativa da população de felinos domésticos (Felis catus). O agente etiológico por trás dessa reação é a nepetalactona, um composto químico volátil com propriedades neuroativas. Este artigo de revisão consolida o conhecimento atual sobre a nepetalactona, abordando sua classificação química, o mecanismo de ação neurobiológico, os comportamentos resultantes, a base genética da suscetibilidade felina, incluindo a discussão sobre testes genéticos, e suas implicações funcionais, como a repelência de insetos. Também são exploradas as aplicações clínicas da erva-de-gato e seus análogos no manejo da ansiedade e estresse felino, e apresentada uma tabela comparativa de outras plantas com efeitos psicoativos em felinos. O objetivo é fornecer uma visão integrativa e aprofundada para médicos veterinários e pesquisadores sobre a complexa interação entre este composto e a biologia felina, ressaltando seu potencial terapêutico no bem-estar animal (Amichetti 2024).
Palavras-chave: Nepetalactona, Nepeta cataria, Comportamento Felino, Genética, Testes Genéticos, Neurociência Veterinária, Medicina Integrativa, Ansiedade Felina.
A interação entre animais e compostos vegetais é um campo de estudo vasto e complexo. Um dos exemplos mais notórios é a reação dos gatos domésticos (Felis catus) à erva-de-gato (Nepeta cataria). A exposição a esta planta desencadeia um repertório comportamental que inclui euforia, rolamento, vocalização, fricção e excitação, um fenômeno que intriga tutores e cientistas há séculos. O principal composto ativo responsável por essa resposta é a nepetalactona (AMICHETTI 2024). Compreender a fundo sua natureza e seus efeitos é fundamental para a prática da medicina veterinária integrativa, que valoriza o bem-estar animal e o enriquecimento ambiental como pilares da saúde. A erva-de-gato não é considerada viciante e, quando utilizada com moderação, é segura para os felinos, embora o uso excessivo possa, em casos raros, causar náuseas ou diarreia.
A nepetalactona não é um flavonoide, mas sim um terpeno, pertencente à subclasse dos iridoides. Terpenos são uma classe diversa de compostos orgânicos produzidos por plantas, responsáveis por muitos de seus aromas e óleos essenciais (ex: pineno em pinheiros, limoneno em cítricos). Especificamente, a nepetalactona é um monoterpenoide (C₁₀H₁₄O₂), uma molécula volátil que se dispersa facilmente no ambiente, permitindo sua detecção pelo aguçado sistema olfativo dos felinos. Os flavonoides, por outro lado, são uma classe de compostos naturais com estrutura química distinta, conhecidos por suas propriedades antioxidantes e pigmentação (AMICHETTI 2023).
A resposta à nepetalactona é primariamente mediada pelo sistema olfativo, desencadeando uma cascata de eventos neurológicos que culminam em euforia e relaxamento. O processo neurobiológico pode ser descrito da seguinte forma:
Essa cascata neurológica explica o estado de "êxtase" observado, que é, em essência, uma resposta de recompensa cerebral a um estímulo químico externo, geralmente durando de 5 a 15 minutos.
Nem todos os gatos reagem à nepetalactona. A suscetibilidade é uma característica hereditária, determinada por um gene autossômico dominante, significando que basta o gato herdar uma única cópia do gene "sensível" de um dos pais para exibir a reação.
Com base nesse padrão genético, a população de gatos pode ser dividida em grupos:
Os comportamentos mais comuns em gatos suscetíveis incluem:
Com o avanço da genética veterinária, a identificação da base genética da sensibilidade à nepetalactona abriu portas para o desenvolvimento de testes genéticos. Embora a reação seja frequentemente observada clinicamente após a exposição à planta, um teste genético oferece a possibilidade de determinar a suscetibilidade de um felino de forma precoce e definitiva, independentemente da idade.
Além do efeito psicoativo, a interação com a nepetalactona confere benefícios adaptativos. Estudos demonstraram que a nepetalactona é um repelente de insetos eficaz, particularmente contra mosquitos. O comportamento de se esfregar e rolar na planta, portanto, não seria apenas uma busca por prazer, mas também um comportamento instintivo de automedicação tópica para proteção contra vetores de doenças. Esta dupla função — recompensa neurológica e proteção ectoparasitária — sugere uma forte pressão evolutiva para a manutenção deste traço na população felina. A liberação de endorfinas também confere um efeito analgésico natural, que pode ser benéfico para o animal.
A Nepeta cataria não é a única planta capaz de induzir euforia em gatos. Outras espécies contêm compostos análogos que ativam vias neurológicas semelhantes. Conhecê-las é essencial para a prática integrativa, especialmente ao lidar com gatos resistentes à nepetalactona.
| Planta | Nome Científico | Composto Ativo Principal | Efeitos Observados | Notas Clínicas |
|---|---|---|---|---|
| Erva-de-Gato (Catnip) | Nepeta cataria | Nepetalactona (Iridóide) | Euforia, rolamento, esfregamento, vocalização. | Respostas em 70-80% dos gatos. Alternativa comum para enriquecimento. |
| Videira de Prata (Matatabi) | Actinidia polygama | Actinidina, Dihidroactinidiolide | Euforia intensa, mastigação, rolamento, fricção facial. | Pode ser mais eficaz que a erva-de-gato em cerca de 80% dos não-reatores à nepetalactona. |
| Valeriana | Valeriana officinalis | Ácido valerênico, Actinidina, Valepotriatos | Euforia, excitação seguida de relaxamento, calma. | Comumente usada como sedativo em humanos, em gatos pode ter efeito bifásico. |
| Madressilva Tártara | Lonicera tatarica | Nepetalactol | Respostas semelhantes à erva-de-gato. | Alguns gatos não responsivos à *Nepeta cataria* podem reagir à madressilva. |
Na medicina veterinária integrativa, a erva-de-gato transcende o mero “brinquedo” e se torna uma ferramenta terapêutica não farmacológica para o manejo de distúrbios comportamentais, principalmente os relacionados à ansiedade e ao estresse crônico (AMICHETTI 2025).
O estresse crônico em gatos pode levar a problemas de saúde como a cistite intersticial felina, distúrbios gastrointestinais e comportamentos indesejados (ex: marcação urinária, agressividade). Ao induzir um estado de euforia intensa através da liberação de β-endorfinas, a nepetalactona atua como um “interruptor” do estado de ansiedade. A sessão de euforia (5-15 minutos) é frequentemente seguida por um período refratário de calma e relaxamento, durante o qual o gato pode dormir ou ficar tranquilamente quieto. Este ciclo de “excitação-relaxamento” ajuda a quebrar o ciclo do estresse e a proporcionar momentos de bem-estar.
Para evitar a habituação (saturação dos receptores olfativos), recomenda-se o uso intermitente, oferecendo a erva-de-gato ou seus análogos de duas a três vezes por semana, em vez de deixá-la disponível continuamente. Esta abordagem garante que o estímulo permaneça fresco e eficaz.
A nepetalactona é um terpeno iridoide que atua como um potente agente neuroativo em gatos geneticamente suscetíveis, ativando o sistema opioide endógeno e resultando em uma resposta de euforia e relaxamento. Esta reação é governada por um gene autossômico dominante e possui uma função evolutiva dual de recompensa neurológica e proteção ectoparasitária. O desenvolvimento de testes genéticos permite agora a identificação precoce dessa suscetibilidade, auxiliando na otimização das estratégias de enriquecimento ambiental e manejo comportamental. Além da Nepeta cataria, outras plantas como a videira de prata (Actinidia polygama) e a valeriana (Valeriana officinalis) oferecem alternativas valiosas, especialmente para gatos não responsivos.
Para o médico veterinário integrativo, o uso consciente e estratégico da nepetalactona e seus análogos representa uma ferramenta valiosa e segura para o enriquecimento ambiental. Pode ser utilizada para reduzir o estresse agudo e crônico, estimular a atividade física, facilitar a adaptação a novos ambientes e fortalecer o vínculo entre tutor e animal. A compreensão de sua base científica e de suas aplicações clínicas, agora complementada pela possibilidade de testes genéticos, permite uma prescrição ainda mais consciente e eficaz, promovendo o bem-estar físico e mental do paciente felino como um todo.
Dr. Cláudio Amichetti Junior: Veterinário Integrativo em São Paulo Brasil
O Dr. Cláudio Amichetti Junior (CRMV-SP 75404 VT), médico veterinário integrativo com larga expertise em felinos os quais cria ha mais de 40 anos, é engenheiro agrônomo formado em 1985 pela UNESP EE Jaboticabal com o maior número de créditos possíveis na sua turma. Ele oferece atendimento especializado para pets em diversas localidades.
PetClube, é um espaço holístico replantado em Mata Atlântica, localizado no Km 334 da Rodovia Régis Bittencourt, em Juquitiba/SP. É facilmente acessível para tutores de felinos, caes e gatos de São Paulo, Morumbi, Vila Olímpia, Moema, Pinheiros, Jardins, Alphaville, São Bernardo do Campo, Itapecirica da Serra e adjacências.
Além de Juquitiba, o Dr. Amichetti atende presencialmente as regiões de Embu-Guaçu, Itapecirica da Serra, São Lourenço da Serra, Miracatu, São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul. Sua expertise abrange também bairros nobres de São Paulo como Vila Nova Conceição, Cidade Jardim, Jardim Paulistano, Ibirapuera, Lapa, Aclimação, Higienópolis, Itaim Bibi, Tatuapé e Mooca.
Dr. Cláudio é pioneiro em um sistema sustentável com alimentação 100% natural (raw feeding) e ingredientes orgânicos cultivados em seu espaço holístico em Juquitiba / São Lourenço da Serra, garantindo dietas frescas e livre de agrotóxicos para seus pacientes. Ele é especialista em modulação intestinal, sistema endocanabinoide (Cannabis Medicinal)e nutrição natural, prevenindo obesidade, alergias e distúrbios metabólicos. Para quem não está na região, oferece telemedicina para todo o Brasil através da plataforma Booklim.com, garantindo que pets em qualquer lugar tenham acesso à sua abordagem integrativa.
Para agendamentos ou mais informações, visite www.petclube.com.br ou entre em contato pelo WhatsApp (11) 99386-8744. Seu pet merece saúde natural, equilíbrio e longevidade sustentável.
Autores:
Cláudio Amichetti Júnior¹,²
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência clínica e científica dedicados aos felinos, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar.
² [Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil]
Resumo: O sistema endocanabinoide (SEC) é um regulador pleiotrópico da homeostase que atua em múltiplos tecidos, modulando funções fisiológicas essenciais. O conceito mais amplo — frequentemente chamado de endocanabinoidoma (ou cannabinoidoma) — transcende o SEC clássico, integrando não apenas os receptores canabinoides clássicos (CB1 e CB2), mas também uma vasta gama de outros receptores (TRPV1, PPARs, GPRs etc.), mediadores lipídicos endógenos (AEA, 2-AG e as chamadas moléculas “endocannabinoid-like” como PEA/OEA) e suas intrincadas vias metabólicas associadas. Em felinos, a literatura específica ainda é limitada, mas estudos farmacocinéticos recentes, ensaios clínicos com palmitoiletanolamida (PEA) e avaliações de segurança com canabidiol (CBD) começam a delinear um panorama translacional promissor. Contudo, é fundamental abordar este campo com ressalvas, dada a variabilidade farmacocinética entre espécies, os potenciais efeitos adversos e as lacunas regulatórias existentes. Esta revisão visa sintetizar a biologia do SEC e do endocanabinoidoma, consolidar evidências sobre fitocanabinoides em gatos, discutir aspectos farmacocinéticos e toxicológicos específicos para a espécie, e propor recomendações práticas e linhas futuras de pesquisa, com um olhar atento para a integração dessas terapias na medicina veterinária moderna. ([PubMed][1])
A medicina veterinária contemporânea testemunha uma crescente demanda por abordagens terapêuticas que não apenas tratem os sintomas, mas que também busquem a raiz dos desequilíbrios fisiológicos, promovendo a saúde e o bem-estar animal de forma integral. Neste cenário, a medicina veterinária integrativa emerge como um pilar, combinando o melhor da ciência convencional com terapias complementares e uma visão holística do paciente. Dentre os sistemas biológicos de maior relevância para essa perspectiva, o sistema endocanabinoide (SEC) e seu universo expandido, o endocanabinoidoma, destacam-se como reguladores mestre da homeostase( Amichetti 2023).
Descoberto nas últimas três décadas, o SEC foi inicialmente conceituado como um sistema endógeno de sinalização lipídica envolvendo ligantes (anandamida, 2-AG), receptores (CB1, CB2) e enzimas metabolizadoras (FAAH, MAGL). Entretanto, a pesquisa subsequente revelou uma rede muito mais complexa, onde inúmeros outros receptores, mediadores e vias interagem funcionalmente com o SEC – originando o conceito do endocanabinoidoma (eCBome). Este eCBome descreve uma rede ampliada e intrincada que modula processos cruciais como inflamação, dor, metabolismo energético e a comunicação bidirecional do eixo intestino–cérebro. A compreensão aprofundada deste panorama é indispensável para a aplicação racional e segura de fitocanabinoides (p.ex. CBD, CBG) na medicina veterinária felina, alinhando-se aos princípios de uma abordagem terapêutica personalizada e integrativa. A consideração de fatores como a alimentação natural e o manejo nutricional, áreas intrinsecamente ligadas à nutrologia, é fundamental para modular este sistema e otimizar as respostas terapêuticas em felinos. Esta revisão, portanto, busca fornecer uma base sólida para profissionais que atuam na intersecção da medicina veterinária endocanabinoide e da nutrologia, como é o caso do autor, que buscam aplicar esses conhecimentos de forma estratégica e informada. ([PubMed][1])
O conceito de endocanabinoidoma (eCBome) reflete uma visão mais abrangente e holística da regulação canabinoide. Ele inclui, além dos elementos clássicos, uma complexa rede de interações com:
Estudos de expressão receptoral em tecidos felinos, incluindo pele, intestino, sistema nervoso central e células imunes, demonstram a presença de CB1, CB2 e PPARs. Observam-se variações significativas na expressão desses receptores em estados patológicos, como na dermatite alérgica felina, sugerindo um papel ativo do eCBome na fisiopatologia dessas condições. A literatura comparativa com outras espécies, como cães e humanos, aponta para uma conservação funcional dos componentes do SEC, mas também revela diferenças quantitativas e qualitativas que podem impactar diretamente a farmacodinâmica dos canabinoides em felinos. Publicações recentes têm revisado a localização e a modulação dos receptores canabinoides e do endocanabinoidoma em doenças cutâneas e inflamatórias em gatos, solidificando a base biológica para intervenções terapêuticas. ([SpringerLink][3])
A ação dos fitocanabinoides não se restringe apenas aos receptores CB1/CB2. Eles modulam uma ampla gama de receptores não-canônicos e influenciam a atividade de enzimas metabólicas do eCBome. Por exemplo, o CBD pode inibir indiretamente a FAAH, aumentando os níveis de AEA endógena, e modular os PPARs, o que contribui para seus efeitos metabólicos e anti-inflamatórios. Essa capacidade de interagir com múltiplos componentes do eCBome ressalta a complexidade de seus mecanismos de ação e a importância de uma abordagem terapêutica que considere a modulação global desse sistema, em consonância com a perspectiva da medicina veterinária endocanabinoide. ([PubMed][4])
A farmacocinética de canabinoides em gatos é caracterizada por uma heterogeneidade significativa. Estudos de doses únicas e múltiplas demonstraram uma biodisponibilidade oral variável, com o pico plasmático e a duração da ação sendo fortemente dependentes da formulação (e.g., óleo, extrato, isolado). O metabolismo hepático é proeminente, resultando na formação de metabólitos ativos e inativos. A metabolização em felinos, notadamente a glucuronidação, difere substancialmente de outras espécies devido a deficiências enzimáticas específicas (e.g., UGT1A6). Estudos recentes têm avaliado diferentes formulações e regimes de dosagem, ressaltando a necessidade de desenvolver protocolos de tratamento específicos e regimenizações adaptadas para felinos, que considerem essas particularidades metabólicas para garantir eficácia e segurança. ([Wiley Online Library][5])
Em ensaios controlados, o CBD, quando administrado em faixas clínicas, foi geralmente bem tolerado em felinos. No entanto, efeitos adversos observados incluem sedação leve a moderada, vômito, diarreia e, em alguns indivíduos, elevações das enzimas hepáticas (fosfatase alcalina e alanina aminotransferase). Adicionalmente, há o potencial de interação com outros fármacos metabolizados pelo citocromo P450, o que exige cautela na politerapia. O THC apresenta uma margem terapêutica muito estreita em gatos e um risco significativo de intoxicação neurológica (ataxia, vocalização, midríase, salivação excessiva); portanto, produtos com qualquer quantidade detectável de THC devem ser evitados ou utilizados sob rigoroso controle veterinário. Casos de toxicidade grave em felinos têm sido documentados após exposições acidentais a produtos ricos em THC. ([MDPI][6])
Embora as evidências diretas em gatos sejam limitadas por poucos ensaios clínicos randomizados, as extrapolações de estudos em cães e modelos experimentais são promissoras. A palmitoiletanolamida (PEA) na forma ultramicronizada (PEA-um) tem demonstrado benefício no controle da dor e inflamação crônica, com evidências de manutenção da remissão em casos de dermatite e potencial aplicação em outras condições inflamatórias. Revisões sugerem um papel importante da PEA na gestão da dor neuropática e inflamatória em diversas espécies. A aplicação de fitocanabinoides, portanto, em casos de dor crônica e osteoartrite felina, deve ser considerada dentro de um plano de manejo da dor multimodal e integrativo. ([PMC][7])
A pele felina, um órgão complexo e um dos maiores reservatórios de receptores do eCBome, é um campo promissor para a aplicação de fitocanabinoides. Estudos mostram um aumento na expressão de receptores PPAR e CB em condições dermatológicas como a dermatite. O PEA-um tem demonstrado redução do prurido e melhora clínica em protocolos controlados, especialmente em casos de dermatite atópica. Há um grande potencial para o uso de formulações tópicas e sistêmicas que modulam o eCBome cutâneo para o manejo de diversas afecções dermatológicas felinas. ([SpringerLink][3])
Em humanos e roedores, o CBD possui evidências robustas como anticonvulsivante. Em felinos, existem estudos farmacocinéticos e de segurança preliminares, mas ensaios clínicos controlados e randomizados para o tratamento da epilepsia felina ainda são escassos. A extrapolação de dados de outras espécies exige cautela, dadas as diferenças farmacocinéticas e farmacodinâmicas intrínsecas aos felinos. ([Wiley Online Library][5])
Evidências mecanísticas sólidas ligam o eCBome ao eixo intestino–cérebro e à modulação da microbiota intestinal, influenciando a motilidade, permeabilidade e sensibilidade visceral. No entanto, estudos específicos em gatos sobre a modulação do apetite e da motilidade gastrointestinal com fitocanabinoides ainda são limitados. A nutrologia, área de expertise do autor, pode desempenhar um papel crucial na otimização da saúde gastrointestinal felina através da dieta, potencialmente complementando a ação dos fitocanabinoides. ([Europe PMC][8])
Apesar do crescente interesse, a medicina veterinária endocanabinoide em felinos ainda possui lacunas significativas que precisam ser preenchidas por pesquisa rigorosa:
Considerando as evidências atuais e as lacunas de conhecimento, as seguintes recomendações são cruciais para a prática clínica responsável:
O sistema endocanabinoide e o endocanabinoidoma representam uma rede biológica de complexidade extraordinária, com um vasto potencial de aplicabilidade clínica em felinos. A compreensão aprofundada desses sistemas é fundamental para o avanço da medicina veterinária, especialmente no contexto da medicina integrativa e da nutrologia. Fitocanabinoides, em particular o CBD, apresentam um perfil farmacológico promissor para o manejo de diversas condições. No entanto, é imperativo reconhecer que a variabilidade farmacocinética da espécie, as interações enzimáticas e os riscos inerentes ao THC impõem uma cautela considerável. A Palmitoiletanolamida (PEA) emerge como uma alternativa com crescente evidência prática para certas condições inflamatórias e dermatológicas em felinos, com um excelente perfil de segurança.
Para traduzir esse conhecimento em protocolos veterinários seguros, eficazes e verdadeiramente integrativos, é crucial investir em pesquisas clínicas e farmacológicas robustas e específicas para a espécie felina. A colaboração entre clínicos, pesquisadores e especialistas em áreas como a medicina veterinária endocanabinoide e a nutrologia será essencial para desvendar o potencial completo dessas terapias e integrá-las de forma responsável na prática diária, melhorando a qualidade de vida dos nossos pacientes felinos. ([PubMed][4])
Dr. Cláudio Amichetti Junior: Veterinário Integrativo em São Paulo Brasil
O Dr. Cláudio Amichetti Junior (CRMV-SP 75404 VT), médico veterinário integrativo com larga expertise em felinos os quais cria ha mais de 40 anos, é engenheiro agrônomo formado em 1985 pela UNESP EE Jaboticabal com o maior número de créditos possíveis na sua turma. Ele oferece atendimento especializado para pets em diversas localidades.
PetClube, é um espaço holístico replantado em Mata Atlântica, localizado no Km 334 da Rodovia Régis Bittencourt, em Juquitiba/SP. É facilmente acessível para tutores de felinos, caes e gatos de São Paulo, Morumbi, Vila Olímpia, Moema, Pinheiros, Jardins, Alphaville, São Bernardo do Campo, Itapecirica da Serra e adjacências.
Além de Juquitiba, o Dr. Amichetti atende presencialmente as regiões de Embu-Guaçu, Itapecirica da Serra, São Lourenço da Serra, Miracatu, São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul. Sua expertise abrange também bairros nobres de São Paulo como Vila Nova Conceição, Cidade Jardim, Jardim Paulistano, Ibirapuera, Lapa, Aclimação, Higienópolis, Itaim Bibi, Tatuapé e Mooca.
Dr. Cláudio é pioneiro em um sistema sustentável com alimentação 100% natural (raw feeding) e ingredientes orgânicos cultivados em seu espaço holístico em Juquitiba / São Lourenço da Serra, garantindo dietas frescas e livre de agrotóxicos para seus pacientes. Ele é especialista em modulação intestinal, sistema endocanabinoide (Cannabis Medicinal)e nutrição natural, prevenindo obesidade, alergias e distúrbios metabólicos. Para quem não está na região, oferece telemedicina, após o atendimento presencial, para todo o Brasil através da plataforma Booklim.com, garantindo que pets em qualquer lugar tenham acesso à sua abordagem integrativa.
Para agendamentos ou mais informações, visite www.petclube.com.br ou entre em contato pelo WhatsApp (11) 99386-8744. Seu pet merece saúde natural, equilíbrio e longevidade sustentável.
REPOSICIONAMENTO FARMACOLÓGICO NA ONCOLOGIA VETERINÁRIA: AVALIAÇÃO CRÍTICA DO USO DE IVERMECTINA E FENBENDAZOL COMO AGENTES ANTINEOPLÁSICOS
Artigo científico submetido para publicação em periódico especializado.
26 de março de 2026
REPOSICIONAMENTO FARMACOLÓGICO NA ONCOLOGIA VETERINÁRIA: AVALIAÇÃO CRÍTICA DO USO DE IVERMECTINA E FENBENDAZOL COMO AGENTES ANTINEOPLÁSICOS
Dr. Cláudio Amichetti Júnior1
Dr. Gabriel Amichetti1
1Petclube, São Paulo, Brasil.
CRMV-SP 75.404 VT, MAPA 00129461/2025, CREA 060149829-SP (Dr. Cláudio Amichetti Júnior)
CRMV-SP 45.592 VT (Dr. Gabriel Amichetti)
São Paulo
2026
RESUMO
O reposicionamento de fármacos (drug repurposing) tem emergido como uma estratégia promissora na oncologia veterinária, buscando otimizar recursos e acelerar a disponibilidade de novas opções terapêuticas. Entre os compostos que têm atraído atenção para essa finalidade, destacam-se a ivermectina e o fenbendazol, tradicionalmente empregados como antiparasitários. Este artigo apresenta uma revisão crítica da literatura científica disponível, avaliando o potencial antineoplásico dessas substâncias em modelos experimentais e sua aplicabilidade clínica em cães e gatos. Embora estudos pré-clínicos *in vitro* e *in vivo* em modelos animais demonstrem atividade citotóxica, indução de apoptose e modulação de vias de sinalização celular em diversas linhagens tumorais, a translação desses achados para a prática clínica veterinária carece de comprovação robusta. A ausência de ensaios clínicos randomizados e controlados, a inconsistência de relatos anedóticos e as limitações farmacocinéticas e de toxicidade em doses eficazes representam barreiras significativas. Conclui-se que, apesar do interesse, a ivermectina e o fenbendazol permanecem como agentes experimentais na oncologia veterinária, não devendo substituir os protocolos oncológicos estabelecidos e baseados em evidências. A utilização dessas substâncias fora de um contexto de pesquisa rigorosa pode comprometer o bem-estar animal e a eficácia do tratamento.
Palavras-chave: Oncologia veterinária; Reposicionamento de fármacos; Ivermectina; Fenbendazol; Neoplasias.
ABSTRACT
Drug repurposing has emerged as a promising strategy in veterinary oncology, aiming to optimize resources and accelerate the availability of new therapeutic options. Among the compounds that have attracted attention for this purpose are ivermectin and fenbendazole, traditionally used as antiparasitics. This article presents a critical review of the available scientific literature, evaluating the antineoplastic potential of these substances in experimental models and their clinical applicability in dogs and cats. Although preclinical *in vitro* and *in vivo* studies in animal models demonstrate cytotoxic activity, apoptosis induction, and modulation of cellular signaling pathways in various tumor cell lines, the translation of these findings to veterinary clinical practice lacks robust evidence. The absence of randomized controlled clinical trials, the inconsistency of anecdotal reports, and pharmacokinetic and toxicity limitations at effective doses represent significant barriers. It is concluded that, despite the interest, ivermectin and fenbendazole remain experimental agents in veterinary oncology and should not replace established, evidence-based oncological protocols. The use of these substances outside a rigorous research context may compromise animal welfare and treatment efficacy.
Keywords: Veterinary oncology; Drug repurposing; Ivermectin; Fenbendazole; Neoplasms.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO
2 METODOLOGIA
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Ivermectina: mecanismos e evidência científica
3.2 Fenbendazol: ação sobre microtúbulos e evidência científica
3.3 Evidência clínica: lacunas críticas e o desafio translacional
3.4 Implicações na prática veterinária
4 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS E REGULATÓRIAS
5 CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
A oncologia veterinária representa uma área de crescente importância na medicina de pequenos animais, impulsionada pelo aumento da expectativa de vida de cães e gatos e pela sofisticação dos métodos diagnósticos. Neoplasias são uma das principais causas de morbidade e mortalidade em animais de companhia, com uma prevalência significativa em diversas raças e idades. Em cães, tumores como o linfoma, o osteossarcoma, o mastocitoma e o carcinoma mamário são frequentemente diagnosticados, enquanto em gatos, o linfoma, o carcinoma de células escamosas e os fibrossarcomas pós-injeção são particularmente relevantes. O tratamento dessas condições, muitas vezes, envolve abordagens multimodais que incluem cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias-alvo, as quais, embora eficazes, podem ser de alto custo e nem sempre acessíveis a todos os tutores. Essa realidade impõe desafios econômicos e de acesso a tratamentos de ponta, motivando a busca por alternativas terapêuticas que sejam eficazes, seguras e financeiramente viáveis.
Nesse cenário, o conceito de reposicionamento de fármacos, ou *drug repurposing*, tem ganhado destaque. Essa estratégia consiste em investigar novas indicações terapêuticas para medicamentos já aprovados e comercializados para outras condições. As vantagens inerentes a essa abordagem são múltiplas: o perfil de segurança e farmacocinética dos fármacos já é amplamente conhecido, o que reduz significativamente o tempo e os custos associados às fases iniciais de pesquisa e desenvolvimento, além de acelerar a potencial disponibilidade clínica. Historicamente, diversos medicamentos foram reposicionados com sucesso, como o sildenafil (originalmente para angina, reposicionado para disfunção erétil) e a talidomida (originalmente sedativo, reposicionada para mieloma múltiplo). Na oncologia, essa estratégia é particularmente atraente, pois permite explorar um vasto arsenal de compostos com potencial antitumoral que, de outra forma, levariam décadas para serem desenvolvidos do zero.
Entre os fármacos que têm sido objeto de intenso interesse para reposicionamento na oncologia, a ivermectina e o fenbendazol se destacam. Ambos são antiparasitários de amplo espectro, com décadas de uso seguro e eficaz em medicina veterinária e humana. A ivermectina, um derivado da avermectina, é amplamente utilizada no controle de endo e ectoparasitas, enquanto o fenbendazol, um benzimidazol, é um anti-helmíntico comum. A notoriedade dessas substâncias como potenciais agentes antineoplásicos emergiu de estudos pré-clínicos promissores e, mais recentemente, de relatos anedóticos e informações disseminadas em plataformas digitais, muitas vezes sem o devido rigor científico. Esses relatos, embora compreensíveis pela busca desesperada por curas em casos de câncer avançado, criam um ambiente propício para a desinformação e a adoção de práticas clínicas não validadas.
A crescente popularidade da ivermectina e do fenbendazol como "alternativas" ou "complementos" no tratamento do câncer em animais de companhia levanta sérias preocupações na comunidade veterinária. A ausência de evidências clínicas robustas e a falta de protocolos padronizados para seu uso em pacientes oncológicos podem levar a atrasos no início de terapias comprovadamente eficazes, progressão da doença, sofrimento desnecessário e, em alguns casos, toxicidade. A prática da medicina veterinária integrativa, que busca combinar terapias convencionais com abordagens complementares, exige que todas as intervenções sejam baseadas em evidências científicas sólidas. Portanto, uma análise crítica e aprofundada da literatura científica disponível sobre o potencial antineoplásico da ivermectina e do fenbendazol é imperativa para orientar a tomada de decisão clínica e salvaguardar o bem-estar dos pacientes.
Este artigo tem como objetivo realizar uma avaliação crítica e abrangente do estado atual do conhecimento sobre o reposicionamento da ivermectina e do fenbendazol na oncologia veterinária. Serão explorados os mecanismos de ação propostos, as evidências obtidas em modelos pré-clínicos (in vitro e in vivo), as lacunas na evidência clínica e as implicações práticas para a medicina veterinária. A intenção é fornecer uma base informada para médicos veterinários, pesquisadores e tutores de animais, distinguindo o potencial promissor da pesquisa experimental das limitações e riscos da aplicação clínica não validada. A compreensão clara dessas distinções é fundamental para promover uma abordagem ética e baseada em evidências no manejo do paciente oncológico veterinário, garantindo que as decisões terapêuticas sejam tomadas com o máximo de rigor científico e em benefício do animal.
A relevância deste estudo se acentua diante da proliferação de informações não verificadas em mídias sociais e fóruns online, que frequentemente promovem o uso desses antiparasitários como "curas milagrosas" para o câncer. Tal cenário exige que a comunidade científica e profissional se posicione de forma clara e embasada, oferecendo diretrizes que protejam os animais de tratamentos ineficazes ou potencialmente prejudiciais. A análise aqui apresentada visa contribuir para a construção de um conhecimento sólido e responsável, essencial para o avanço da oncologia veterinária e para a promoção do bem-estar animal.
A complexidade do microambiente tumoral, a heterogeneidade das neoplasias e as particularidades fisiológicas de cada espécie animal tornam a translação de achados pré-clínicos um desafio considerável. Mesmo fármacos com forte atividade *in vitro* podem falhar em demonstrar eficácia *in vivo* devido a fatores como biodisponibilidade, metabolismo, toxicidade em doses terapêuticas e resistência tumoral. Portanto, a cautela é a palavra-chave ao considerar o reposicionamento de qualquer fármaco, especialmente em um campo tão sensível quanto a oncologia. Este artigo busca fornecer essa perspectiva equilibrada, reconhecendo o potencial da pesquisa, mas enfatizando a necessidade de rigor científico antes da adoção clínica.
A discussão sobre ivermectina e fenbendazol na oncologia veterinária não se limita apenas à sua eficácia, mas também abrange questões éticas e regulatórias. A administração de medicamentos *off-label* sem base científica sólida pode configurar má prática profissional e comprometer a relação de confiança entre o médico veterinário e o tutor. Além disso, a esperança gerada por informações não comprovadas pode levar tutores a investir recursos financeiros e emocionais em tratamentos sem benefício real, desviando-os de terapias convencionais que poderiam oferecer melhores prognósticos. Assim, a presente revisão se propõe a ser um recurso valioso para a comunidade veterinária, consolidando as informações mais recentes e fornecendo uma análise crítica indispensável para a prática clínica responsável.
Em suma, a oncologia veterinária está em constante evolução, e o reposicionamento de fármacos oferece um caminho promissor para expandir o arsenal terapêutico. Contudo, a transição do laboratório para a clínica deve ser pautada por um rigor científico inquestionável. Este artigo visa preencher uma lacuna na literatura ao fornecer uma análise crítica e atualizada sobre a ivermectina e o fenbendazol, contribuindo para uma prática veterinária mais informada e ética no tratamento do câncer em cães e gatos.
2 METODOLOGIA
Foi realizada uma revisão narrativa sistematizada da literatura, adaptando princípios do protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) para garantir uma abordagem abrangente e transparente na seleção e análise dos estudos. A busca bibliográfica foi conduzida nas bases de dados eletrônicas PubMed, Scopus, Web of Science e Google Scholar, abrangendo o período de janeiro de 2015 a março de 2026. Os termos de busca utilizados, em português e inglês, incluíram combinações de "oncologia veterinária", "drug repurposing", "reposicionamento de fármacos", "ivermectina", "fenbendazol", "antineoplásico", "câncer", "neoplasias", "cães", "gatos", "canine", "feline", "ivermectin", "fenbendazole", "anticancer", "neoplasms", "preclinical", "clinical trials", "mechanisms".
Os critérios de inclusão para a seleção dos artigos foram:
Foram excluídos da análise:
A seleção dos artigos foi realizada em duas etapas: inicialmente, a triagem de títulos e resumos para identificar estudos potencialmente relevantes; em seguida, a leitura completa dos artigos selecionados para verificar a elegibilidade e extrair os dados pertinentes. A análise dos dados focou nos mecanismos de ação propostos, nos resultados de eficácia e toxicidade em diferentes modelos, nas limitações metodológicas dos estudos e nas implicações para a prática clínica veterinária. A síntese das informações foi organizada de forma a permitir uma avaliação crítica do corpo de evidências existente, destacando as lacunas de conhecimento e as necessidades de pesquisa futura.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A investigação do reposicionamento de fármacos na oncologia veterinária tem revelado um cenário complexo, onde o entusiasmo inicial gerado por achados pré-clínicos promissores frequentemente se choca com a ausência de evidências clínicas robustas. A ivermectina e o fenbendazol exemplificam essa dicotomia, apresentando mecanismos de ação biologicamente plausíveis e resultados *in vitro* e em modelos animais que sugerem potencial antineoplásico, mas com uma translação limitada para a prática clínica.
3.1 Ivermectina: mecanismos e evidência científica
A ivermectina, um lactona macrocíclica, é conhecida por sua ação antiparasitária através da ligação a canais de cloreto controlados por glutamato em invertebrados. No entanto, em células de mamíferos, estudos têm demonstrado que a ivermectina pode exercer efeitos antineoplásicos por múltiplos mecanismos. Um dos principais alvos identificados é a via de sinalização PI3K/AKT/mTOR, crucial para a proliferação, sobrevivência e crescimento celular. A ivermectina tem sido mostrada como inibidora dessa via, resultando na supressão do crescimento tumoral e na indução de apoptose em diversas linhagens celulares (JIMÉNEZ-GAONA et al., 2025). Além disso, a ivermectina pode modular a via Wnt/β-catenina, que desempenha um papel fundamental na oncogênese, especialmente em tumores colorretais e mamários, ao inibir a translocação nuclear da β-catenina e, consequentemente, a expressão de genes pró-tumorais (JUAREZ et al., 2025).
A indução de apoptose é outro mecanismo bem documentado, frequentemente mediado pela ativação de caspases e pela desregulação da função mitocondrial. A ivermectina pode aumentar a permeabilidade da membrana mitocondrial, liberando citocromo c e ativando a cascata de caspases, levando à morte celular programada. Mais recentemente, estudos têm explorado seu potencial imunomodulador, incluindo a capacidade de inibir a expressão de PD-L1 (ligante de morte programada 1) em células tumorais, o que poderia sensibilizar os tumores à imunoterapia (QIU et al., 2025). Essa capacidade de modular o microambiente tumoral e as vias de *checkpoint* imunológico adiciona uma camada de complexidade e interesse ao seu perfil antineoplásico.
Em termos de evidências pré-clínicas, a ivermectina demonstrou atividade em uma variedade de cânceres, incluindo câncer de mama, gliomas, leucemias e tumores colorretais. Um estudo notável de Qiu et al. (2025) investigou a combinação de ivermectina e metformina em células de câncer de mama canino, revelando um efeito sinérgico na inibição da proliferação celular e na indução de apoptose. Essa pesquisa sugere que a ivermectina pode ser particularmente eficaz em combinação com outros agentes, explorando diferentes vias de sinalização. A revisão de Jiménez-Gaona et al. (2025) reforça o potencial geral da ivermectina como agente antineoplásico, destacando sua capacidade de atingir múltiplas vias oncogênicas. No contexto veterinário-específico, modelos *in vivo* em cães com tumores mamários e gliomas têm mostrado alguma redução no crescimento tumoral, mas frequentemente em doses que se aproximam ou excedem os limites de toxicidade, especialmente em raças sensíveis como os Collies, devido a mutações no gene MDR1 (BITENCOURT et al., 2025).
3.2 Fenbendazol: ação sobre microtúbulos e evidência científica
O fenbendazol, um anti-helmíntico da classe dos benzimidazóis, compartilha um mecanismo de ação antineoplásico com quimioterápicos clássicos como a vincristina e o paclitaxel: a despolimerização dos microtúbulos. Os microtúbulos são componentes essenciais do citoesqueleto celular, desempenhando papéis críticos na divisão celular (formação do fuso mitótico), transporte intracelular e manutenção da forma celular. O fenbendazol liga-se seletivamente à tubulina beta, impedindo a polimerização dos microtúbulos e, consequentemente, bloqueando a mitose na metáfase. Essa interrupção do ciclo celular leva à indução de apoptose em células tumorais (DOGRA; KUMAR, 2025).
Além da sua ação sobre os microtúbulos, o fenbendazol tem sido associado à ativação da proteína p53, um supressor tumoral chave, e à inibição da glicólise aeróbica (efeito Warburg), um processo metabólico preferencialmente utilizado por muitas células cancerosas para gerar energia. Ao interferir no metabolismo energético tumoral, o fenbendazol pode privar as células cancerosas de recursos essenciais para seu crescimento e proliferação (NGUYEN et al., 2024). Esses múltiplos mecanismos de ação sugerem um perfil antineoplásico promissor.
Estudos *in vitro* e *in vivo* têm demonstrado a eficácia do fenbendazol. Nguyen et al. (2024) revisaram o potencial do fenbendazol como terapia oral para o câncer em humanos e animais, destacando sua baixa toxicidade e boa biodisponibilidade em alguns modelos. Em modelos animais, incluindo cães com tumores espontâneos, o fenbendazol demonstrou capacidade de reduzir o crescimento tumoral e induzir apoptose. Relatos de casos, como os compilados por Makis (2025), embora anedóticos, alimentam o interesse em seu potencial. No entanto, a maioria desses estudos utiliza modelos de roedores ou linhagens celulares, e a translação para a complexidade dos tumores em cães e gatos, com suas particularidades genéticas e fisiológicas, ainda é um desafio.
| Fármaco | Alvo Principal | Vias Afetadas | Nível de Evidência Pré-clínica |
|---|---|---|---|
| Ivermectina | Canais de cloreto (indireto), proteínas de transporte, quinases | PI3K/AKT/mTOR, Wnt/β-catenina, apoptose (caspases), PD-L1 | Forte *in vitro*, moderada *in vivo* (modelos roedores/caninos) |
| Fenbendazol | Tubulina beta | Despolimerização de microtúbulos, bloqueio mitótico, ativação p53, inibição glicólise | Forte *in vitro*, moderada *in vivo* (modelos roedores/caninos) |
Tabela 1: Mecanismos moleculares comparativos da ivermectina e do fenbendazol com potencial antineoplásico.
3.3 Evidência clínica: lacunas críticas e o desafio translacional
Apesar dos achados promissores em modelos pré-clínicos, a evidência clínica para o uso de ivermectina e fenbendazol na oncologia veterinária é alarmantemente escassa e de baixa qualidade. A literatura carece de ensaios clínicos randomizados e controlados (RCTs) em cães e gatos, que são o padrão ouro para determinar a eficácia e segurança de qualquer tratamento. A maioria das informações disponíveis provém de relatos de casos isolados, séries de casos não controladas ou, mais preocupantemente, de testemunhos em mídias sociais e fóruns online, como os popularizados pelo caso de Joe Tippens, que relatou a cura de seu próprio câncer com fenbendazol. Tais relatos, embora inspiradores, são inerentemente suscetíveis a vieses de seleção, viés de publicação e à influência de terapias concomitantes, tornando impossível atribuir qualquer benefício diretamente ao fármaco em questão (ANTI-CANCER FUND, 2023).
A fragilidade da evidência é ainda mais acentuada por casos de retratações de artigos científicos que inicialmente reportavam resultados favoráveis ao fenbendazol, o que sublinha a necessidade de um escrutínio rigoroso. O "gap translacional" é um dos principais obstáculos: resultados promissores em laboratório frequentemente não se traduzem em eficácia clínica em organismos complexos. Fatores como a biodisponibilidade reduzida do fármaco no tecido tumoral, o metabolismo hepático que pode inativar o composto rapidamente, a heterogeneidade do microambiente tumoral e a toxicidade em doses que seriam eficazes *in vitro* ou em modelos simplificados, são barreiras significativas. As doses de ivermectina e fenbendazol que demonstraram atividade antineoplásica em estudos pré-clínicos são, em muitos casos, substancialmente mais altas do que as doses antiparasitárias seguras e podem induzir toxicidade significativa em cães e gatos, especialmente em raças com sensibilidade genética (BITENCOURT et al., 2025).
| Estudo/Fonte | Modelo | Fármaco | Outcome Principal | Limitações |
|---|---|---|---|---|
| Qiu et al. (2025) | Células de câncer de mama canino | Ivermectina + Metformina | Efeito sinérgico na inibição da proliferação e apoptose | Estudo *in vitro*, não translacional direto |
| Jiménez-Gaona et al. (2025) | Revisão (diversos modelos) | Ivermectina | Potencial antineoplásico geral | Revisão de estudos pré-clínicos, sem evidência clínica |
| Nguyen et al. (2024) | Revisão (diversos modelos) | Fenbendazol | Potencial como terapia oral para câncer | Revisão de estudos pré-clínicos, sem evidência clínica robusta |
| Makis (2025) | Relatos de casos (humanos/animais) | Fenbendazol | Remissão em alguns casos | Evidência anedótica, alto viés, falta de controle |
| Dogra & Kumar (2025) | Revisão (mecanismos) | Fenbendazol | Mecanismos de ação antineoplásica | Foco em mecanismos, não em eficácia clínica |
Tabela 2: Resumo de evidências pré-clínicas e relatos sobre ivermectina e fenbendazol na oncologia.
| Fármaco | Dose Antiparasitária Típica (Cães/Gatos) | Dose Antineoplásica Experimental (Modelos Pré-clínicos) | Toxicidade em Doses Experimentais |
|---|---|---|---|
| Ivermectina | 0,006-0,2 mg/kg (cães); 0,024-0,4 mg/kg (gatos) | 0,5-10 mg/kg (modelos roedores); 0,3-0,6 mg/kg (cães sensíveis) | Neurotoxicidade (ataxia, tremores, coma), especialmente em raças MDR1 mutantes |
| Fenbendazol | 50 mg/kg/dia por 3 dias (cães/gatos) | 50-200 mg/kg/dia (modelos roedores); 50-100 mg/kg/dia (relatos anedóticos em cães) | Geralmente bem tolerado em doses antiparasitárias; doses elevadas podem causar vômito, diarreia, mielossupressão (raro) |
Tabela 3: Comparativo de dosagens e toxicidade da ivermectina e do fenbendazol.
3.4 Implicações na prática veterinária
Diante da ausência de evidências clínicas robustas, o uso de ivermectina e fenbendazol como agentes antineoplásicos na prática veterinária é altamente questionável e não recomendado. Os protocolos oncológicos padrão, que incluem quimioterápicos como doxorrubicina, ciclofosfamida, vincristina, lomustina e toceranib (um inibidor de tirosina quinase), são baseados em décadas de pesquisa, ensaios clínicos controlados e experiência clínica, oferecendo prognósticos conhecidos e perfis de toxicidade gerenciáveis. A decisão de desviar-se desses protocolos em favor de terapias não comprovadas pode ter consequências graves para o paciente.
Os riscos associados ao uso *off-label* de ivermectina e fenbendazol na oncologia veterinária incluem:
A medicina veterinária baseada em evidências exige que as decisões clínicas sejam informadas pela melhor pesquisa disponível, pela experiência clínica do veterinário e pelas preferências do tutor, sempre priorizando o bem-estar do paciente. No caso da ivermectina e do fenbendazol, a evidência atual não suporta seu uso como agentes antineoplásicos fora de um contexto de pesquisa rigorosa e controlada.
4 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS E REGULATÓRIAS
A utilização de terapias sem validação científica em pacientes oncológicos veterinários levanta sérias preocupações éticas. O princípio do bem-estar animal, que inclui a minimização da dor e do sofrimento e a garantia de tratamento adequado, é central na prática veterinária. Administrar medicamentos com eficácia não comprovada, especialmente quando existem alternativas estabelecidas, pode comprometer esse princípio. A responsabilidade profissional do médico veterinário implica em oferecer o melhor cuidado possível, baseado em conhecimento científico atualizado e em evidências.
A discussão com os tutores sobre opções de tratamento deve ser transparente e honesta, apresentando os riscos e benefícios de cada abordagem. A esperança gerada por informações não científicas pode levar tutores a tomar decisões que não são do melhor interesse do animal, e é dever do veterinário fornecer orientação clara e imparcial. O uso *off-label* de medicamentos é permitido em certas circunstâncias, mas deve ser justificado por evidências científicas ou por uma necessidade clínica premente, e sempre com o consentimento informado do tutor, que deve estar ciente dos riscos e da falta de aprovação para a indicação específica.
Do ponto de vista regulatório no Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o órgão responsável pela fiscalização e registro de produtos de uso veterinário. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) regula produtos para uso humano. Embora a ivermectina e o fenbendazol sejam aprovados para uso veterinário como antiparasitários, sua indicação como antineoplásicos não possui registro ou aprovação. A prescrição para essa finalidade *off-label* deve ser feita com extrema cautela e responsabilidade, sempre considerando as implicações legais e éticas. A pesquisa em reposicionamento de fármacos é vital, mas deve ser conduzida em ambientes controlados e sob rigorosos protocolos éticos, garantindo a segurança e o bem-estar dos animais envolvidos nos estudos.
5 CONCLUSÃO
A ivermectina e o fenbendazol, antiparasitários de uso consagrado, demonstraram atividade antineoplásica promissora em estudos pré-clínicos *in vitro* e em modelos animais. Seus mecanismos de ação, que incluem a modulação de vias de sinalização celular, indução de apoptose e interferência na divisão celular, são biologicamente plausíveis e justificam o interesse no seu reposicionamento para a oncologia. No entanto, é crucial ressaltar que:
Portanto, a ivermectina e o fenbendazol devem ser considerados, no momento, como agentes experimentais na oncologia veterinária. Seu uso deve permanecer restrito ao âmbito de pesquisas científicas rigorosas, conduzidas sob protocolos éticos e com o devido controle, até que estudos clínicos adequados sejam realizados e forneçam evidências de segurança e eficácia. A prática clínica deve priorizar abordagens terapêuticas baseadas em evidências, que ofereçam o melhor prognóstico e qualidade de vida para os pacientes oncológicos, evitando a disseminação de informações não comprovadas e a adoção de tratamentos que possam comprometer o bem-estar animal.
REFERÊNCIAS
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