Divulgação médico veterinária. Noticias, artigos, fotos, imagens, vídeos, Petclube é o melhor site que vende cães bulldog, pug, rhodesian ridgeback, frenchie bulldog, chihuahua, buldogue campeiro, olde english bulldogge, pitmonster, gatos ragdoll, maine coon , bengal, exotico, persa, com anúncios de divulgação de filhotes de cachorros e gatinhos munchkin toy raríssimos para todo Brasil
wthats 55 11 9386 8744 Juquitiba SP
Cláudio Amichetti Júnior¹,² Gabriel Amichetti³
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; MAPA 00129461/2025, CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina e Canina, Medicina Canabinóide e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos e cães tipo bull, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar. ² Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil ³ Médico-veterinário CRMV-SP 45.592 VT, Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais – Clínica 3RD Vila Zelina SP
Autor Correspondente: Cláudio Amichetti Júnior, [dr.claudio.amichetti@gmail.com]
Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.
Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal
A osteoartrite (OA) canina representa uma das principais causas de dor crônica e incapacidade locomotora em cães, impactando significativamente a qualidade de vida dos animais e de seus tutores. Caracterizada pela degeneração progressiva da cartilagem articular, remodelação óssea subcondral, formação de osteófitos e inflamação sinovial, a OA é uma doença multifatorial e complexa. Este artigo de revisão explora as inovações em métodos diagnósticos, com ênfase em biomarcadores e técnicas de imagem avançadas, e discute as estratégias terapêuticas multimodais contemporâneas. Abordam-se desde as terapias medicamentosas (AINEs, analgésicos, condroprotetores, terapias biológicas) e não medicamentosas (manejo de peso, fisioterapia, nutracêuticos) até as intervenções cirúrgicas, destacando a importância de um plano terapêutico individualizado. Propõe-se uma visão integrativa para o manejo da OA canina, visando a minimização da dor, a preservação da função articular e a melhoria do bem-estar animal.
A osteoartrite (OA) canina, uma doença articular degenerativa crônica e progressiva, representa um dos maiores desafios na prática ortopédica veterinária, afetando a qualidade de vida de milhões de cães e gerando custos significativos para os tutores. Longe de ser um mero processo de "desgaste", a OA é uma síndrome complexa que envolve a degradação da cartilagem articular, a remodelação do osso subcondral, a inflamação sinovial e o comprometimento de estruturas periarticulares. Essa complexidade intrínseca da etiopatogenia da OA exige uma compreensão aprofundada e abordagens diagnósticas e terapêuticas cada vez mais sofisticadas.
Tradicionalmente, o diagnóstico da OA tem se baseado em sinais clínicos, achados no exame físico e alterações radiográficas, que frequentemente se manifestam em estágios avançados da doença. No entanto, a medicina veterinária contemporânea tem presenciado uma revolução nas ferramentas diagnósticas, com o advento de técnicas de imagem avançadas e a emergência de biomarcadores promissores, que oferecem a possibilidade de detecção precoce e monitoramento mais preciso da progressão da doença. Paralelamente, o paradigma terapêutico tem se deslocado de tratamentos paliativos para estratégias multimodais que visam não apenas o alívio sintomático, mas também a modificação da doença e a promoção da regeneração tecidual.
Este artigo de revisão crítica tem como objetivo explorar e sintetizar os avanços mais recentes no diagnóstico da osteoartrite canina, com foco nas metodologias que permitem a identificação precoce e a avaliação objetiva da doença. Adicionalmente, será realizada uma análise aprofundada das estratégias terapêuticas multimodais contemporâneas, abrangendo desde intervenções farmacológicas e biológicas até abordagens de manejo não medicamentosas e cirúrgicas. O intuito é fornecer uma visão integrativa que capacite o clínico veterinário a otimizar o manejo da OA, visando a minimização da dor, a preservação da função articular e a substancial melhoria do bem-estar e da longevidade dos pacientes caninos.
A OA pode ser classificada como primária (idiopática, rara em cães) ou secundária, sendo esta última a mais comum e associada a fatores predisponentes como:
A cascata inflamatória e degenerativa envolve citocinas pró-inflamatórias (IL-1, TNF-α), metaloproteinases de matriz (MMPs), e radicais livres que promovem a degradação da matriz extracelular da cartilagem e a morte condrocitária.
O diagnóstico precoce e preciso da OA é fundamental para instituir um tratamento eficaz e retardar a progressão da doença.
A anamnese detalhada, incluindo histórico de claudicação, rigidez matinal, dificuldade em se levantar ou pular, intolerância ao exercício e mudanças comportamentais, é o ponto de partida. O exame físico ortopédico deve identificar dor à palpação, crepitação, efusão sinovial, atrofia muscular e limitação da amplitude de movimento (ADM). A avaliação da dor pode ser complementada com questionários validados e escalas de dor específicas para cães.
A pesquisa em biomarcadores busca identificar substâncias no sangue, urina ou líquido sinovial que reflitam a atividade metabólica da cartilagem ou o processo inflamatório.
Apesar do potencial, a validação de biomarcadores específicos e sua correlação com a progressão clínica da OA em cães ainda são áreas de intensa pesquisa, com o objetivo de permitir o diagnóstico precoce e a monitorização da resposta terapêutica.
O manejo da OA é multifacetado, com o objetivo de aliviar a dor, melhorar a função articular, retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. Raramente uma única modalidade é suficiente.
A obesidade é um fator de risco e agravante da OA. A redução e manutenção do peso ideal são cruciais para diminuir a carga sobre as articulações e reduzir a inflamação sistêmica associada ao tecido adiposo. Dietas específicas para controle de peso e suplementação com ácidos graxos ômega-3 (EPA e DHA), que possuem propriedades anti-inflamatórias, são recomendadas.
A fisioterapia desempenha um papel fundamental no manejo da OA, incluindo:
A cirurgia é indicada para corrigir instabilidades articulares, deformidades ou remover osteófitos dolorosos. Em casos avançados de OA com dor intratável, opções incluem:
A discussão sobre a osteoartrite canina transcendeu a simplista visão de uma patologia de 'desgaste' para abraçar uma compreensão molecular e celular que engloba complexos processos inflamatórios, metabólicos e neurofisiológicos. Esta evolução teórica tem impulsionado a demanda por inovações diagnósticas e terapêuticas, refletindo a crescente busca por um manejo mais eficaz e eticamente responsável da dor e disfunção articular em cães.
Os avanços em diagnóstico por imagem, notadamente RM e ultrassonografia, juntamente com o desenvolvimento promissor de biomarcadores, representam um divisor de águas. Essas ferramentas não apenas possibilitam a detecção da doença em estágios subclínicos, mas também oferecem meios objetivos para monitorar a progressão e avaliar a resposta aos tratamentos, superando as limitações das radiografias convencionais, que muitas vezes refletem apenas alterações morfológicas tardias. A integração desses métodos permite uma estratificação de risco mais precisa e a instituição de intervenções mais precoces e direcionadas.
No âmbito terapêutico, a abordagem multimodal emergiu como o padrão-ouro. A sinergia entre o controle de peso, a fisioterapia, as terapias farmacológicas convencionais (AINEs, analgésicos) e os agentes condroprotetores (como o Pentosan Polissulfato de Sódio, que oferece um espectro de ação anabólico e anti-inflamatório) é crucial. Além disso, a ascensão das terapias biológicas, como PRP e MSCs, representa um campo em rápida expansão, com potencial para modificar o curso da doença através de mecanismos regenerativos e imunomodulatórios. No entanto, a padronização de protocolos e a elucidação dos mecanismos de ação in vivo ainda são áreas que demandam mais pesquisa.
Um aspecto central é a individualização do tratamento. A idade do paciente, raça, estágio da OA, a presença de comorbidades e o perfil de atividade devem guiar a seleção das modalidades terapêuticas. A colaboração ativa com o tutor, envolvendo educação sobre a natureza crônica da OA e a importância da adesão ao plano terapêutico, é indispensável para o sucesso a longo prazo.
Apesar dos avanços, desafios significativos persistem. A validação de biomarcadores prognósticos confiáveis e a identificação de pacientes respondedores a terapias biológicas específicas são cruciais. Adicionalmente, a busca por novas drogas modificadoras da doença que possam verdadeiramente interromper ou reverter a degeneração cartilaginosa continua sendo um objetivo primordial da pesquisa. A integração de tecnologias como a inteligência artificial para análise preditiva e a personalização de protocolos terapêuticos representa a fronteira futura do manejo da OA canina.
Em suma, a evolução no diagnóstico e na terapia da OA canina reflete um compromisso contínuo com a melhoria da saúde e bem-estar animal. A transição de um tratamento reativo para um proativo e personalizado é um testemunho do progresso na ortopedia veterinária.
Em síntese, a osteoartrite canina, outrora percebida como uma inevitável consequência do envelhecimento ou do desgaste, é hoje compreendida como uma patologia complexa e dinâmica, que demanda uma intervenção abrangente e precoce. Esta revisão demonstrou que a integração de metodologias diagnósticas avançadas, como a ressonância magnética e o crescente uso de biomarcadores, é fundamental para a identificação precoce da doença e para a monitorização objetiva de sua progressão e resposta terapêutica. Tais ferramentas capacitam os médicos-veterinários a ir além do diagnóstico clínico tardio, permitindo intervenções mais oportunas e eficazes.
No espectro terapêutico, o paradigma multimodal consolidou-se como a abordagem mais efetiva. A combinação estratégica de manejo de peso, fisioterapia, terapias farmacológicas convencionais e inovadoras (incluindo condroprotetores como o PPS e terapias biológicas) e, quando estritamente indicado, intervenções cirúrgicas, permite um controle superior da dor, a preservação da funcionalidade articular e, em última instância, a melhoria substancial da qualidade de vida dos cães. A personalização de cada plano terapêutico, adaptado às especificidades de cada paciente, é a chave para maximizar os resultados.
O futuro do manejo da OA canina reside na contínua pesquisa para a descoberta de biomarcadores mais sensíveis e específicos, na padronização de terapias regenerativas e no desenvolvimento de novas drogas modificadoras da doença. A colaboração multidisciplinar entre pesquisadores, clínicos e a educação dos tutores permanecerão pilares essenciais para o avanço da ortopedia veterinária, assegurando que cães com osteoartrite possam desfrutar de uma vida mais longa, ativa e livre de dor.
Autores:
Cláudio Amichetti Júnior¹,²
Gabriel Amichetti³
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar.
² [Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil]
³ Médico-veterinário CRMV-SP 45.592 VT, Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais – [clínica 3RD Vila Zelina SP]
Autor Correspondente: Cláudio Amichetti Júnior, [dr.claudio.amichetti@gmail.com]
Resumo Gatos domésticos (Felis catus) são carnívoros obrigatórios, cuja fisiologia e metabolismo são otimizados para a utilização de proteínas e gorduras animais. No entanto, muitas rações comerciais modernas contêm proporções elevadas de carboidratos, o que pode induzir disbiose intestinal, inflamação crônica e distúrbios metabólicos a médio e longo prazo. Este artigo revisa a fisiologia nutricional felina, as consequências da disbiose induzida por dietas ricas em carboidratos e a crescente tendência no mercado norte-americano de adoção de dietas de baixo carboidrato ou estritamente carnívoras. São analisadas as razões por trás dessa mudança, incluindo a humanização dos pets, a conscientização sobre a saúde felina e, de forma notável, a influência de médicos veterinários integrativos e de tutores com formação em nutrição. São apresentados exemplos de produtos comerciais "meat-only" e low-carb disponíveis nos Estados Unidos, com suas qualificações e posicionamento de mercado. O objetivo é fornecer uma base científica e prática para médicos veterinários e tutores na tomada de decisões nutricionais para felinos.
Palavras-chave: Gato, Carnívoro Obrigatório, Dieta Low-Carb, Disbiose, Microbioma, Rações Comerciais, Nutrição Felina.
A dieta desempenha um papel fundamental na saúde e bem-estar dos animais de estimação. Para os gatos (Felis catus), a compreensão de suas necessidades nutricionais é intrínseca à sua classificação biológica como carnívoros obrigatórios. Esta especificidade evolutiva implica que sua fisiologia digestiva e metabólica é singularmente adaptada para processar e derivar energia predominantemente de fontes animais, ricas em proteínas e gorduras, e com pouca dependência de carboidratos [1].
Contrariamente a essa adaptação fisiológica, grande parte das rações comerciais secas formuladas para gatos historicamente incorporou níveis significativos de carboidratos, frequentemente utilizados como aglutinantes e redutores de custo [2]. A exposição crônica a dietas com alto teor de carboidratos tem levantado preocupações crescentes na comunidade veterinária e entre tutores conscientes sobre a saúde felina. Evidências sugerem que tais dietas podem desestabilizar o microbioma intestinal, levando à disbiose, e contribuir para uma série de problemas de saúde, incluindo enteropatias inflamatórias, obesidade e diabetes mellitus [3,4].
No contexto norte-americano, observa-se uma forte e crescente demanda por uma alimentação felina de qualidade superior, o que tem impulsionado uma significativa transformação no mercado de pet food. Essa mudança é catalisada, em grande parte, pela ação de médicos veterinários com abordagem integrativa e funcional, que advogam por dietas mais alinhadas à biologia carnívora dos felinos, e por tutores cada vez mais informados sobre os princípios da nutrição animal [13,15]. Essa sinergia entre o conhecimento profissional e o engajamento dos proprietários tem sido crucial para desafiar o status quo das dietas convencionais, fomentando a busca por produtos que priorizem ingredientes de origem animal e baixos teores de carboidratos.
Este artigo tem como objetivo aprofundar a compreensão das implicações de dietas ricas em carboidratos na saúde felina, explorar os fundamentos fisiológicos para a adoção de dietas estritamente carnívoras ou low-carb, e analisar a crescente tendência e as opções de produtos disponíveis no mercado norte-americano que atendem a essa demanda. Serão abordadas as razões subjacentes à crescente preferência por esses tipos de alimentos e discutidas as qualificações e valores de mercado de rações comerciais específicas.
A caracterização do gato como carnívoro obrigatório não é meramente taxonômica, mas reflete profundas adaptações fisiológicas e metabólicas. O trato gastrointestinal felino é relativamente curto, o que é típico de predadores que processam alimentos altamente digestíveis e densos em nutrientes [1]. Enzimas digestivas e vias metabólicas são otimizadas para a quebra de proteínas e gorduras, com uma capacidade limitada para a digestão eficiente de grandes quantidades de carboidratos.
Necessidades nutricionais específicas de felinos incluem:
Historicamente, muitas rações secas extrusadas (kibble) para felinos contêm uma proporção significativa de carboidratos, derivados de cereais (milho, trigo, arroz), batatas, ervilhas ou lentilhas. Esses ingredientes são funcionalmente importantes no processo de extrusão para dar forma e estabilidade ao grânulo, além de serem fontes de energia e, frequentemente, de menor custo do que ingredientes de origem animal [2]. Embora os fabricantes de rações "grain-free" tenham substituído cereais por outras fontes vegetais, o teor total de carboidratos pode permanecer elevado.
A composição macronutricional da dieta é um dos principais fatores que moldam a estrutura e a função do microbioma intestinal [3]. Dietas ricas em carboidratos favorecem o crescimento de microrganismos que metabolizam carboidratos, enquanto dietas ricas em proteínas e gorduras promovem comunidades microbianas distintas, adaptadas à degradação de proteínas e aminoácidos [6]. Em gatos, a ingestão crônica de dietas com altos teores de carboidratos e fontes vegetais pode levar a alterações funcionais e taxonômicas no microbioma, caracterizadas como disbiose [3,4]. A disbiose felina tem sido associada à perda de resiliência microbiana, produção alterada de metabólitos (como a redução de butirato benéfico e o aumento de produtos proteolíticos potencialmente tóxicos), e inflamação intestinal [4,7].
As alterações induzidas pela dieta e a consequente disbiose podem ter implicações significativas na saúde felina, manifestando-se em diversas condições clínicas:
Para mitigar os riscos associados a dietas ricas em carboidratos e promover a saúde felina, a transição para dietas mais alinhadas à biologia carnívora é recomendada. Um programa nutricional baseado em ciência deve priorizar:
A última década testemunhou uma notável mudança nas preferências dos tutores de animais de estimação nos Estados Unidos em relação à alimentação felina. Essa tendência de buscar dietas de baixo carboidrato ou "carnívoras" é multifacetada e reflete um alinhamento crescente com a humanização dos pets e uma maior conscientização sobre suas necessidades biológicas [13].
Razões para a Crescente Adoção nos EUA:
O mercado norte-americano oferece diversas opções de alimentos que se alinham à filosofia de dietas ricas em proteína e baixo carboidrato. É importante notar que "carb-free" é um termo aspiracional, e "low-carb" é o que se encontra em produtos comerciais, dado que alguns ingredientes e até fibras contêm carboidratos.
7.1. Alimentos Air-Dried (Desidratados ao Ar):
7.2. Patês e Enlatados "High-Protein / Low-Carb":
7.3. Dietas Cruas Comerciais (Congeladas / Liofilizadas):
7.4. Rações Secas "Biologically Appropriate" (com ressalvas):
Observação: A estimativa precisa de carboidratos em produtos comerciais requer a análise da matéria seca e, idealmente, a subtração dos percentuais de proteína, gordura, umidade e cinzas de 100%. A alegação "grain-free" não é sinônimo de "low-carb", e a leitura atenta do rótulo é fundamental.
A crescente adoção de dietas de baixo carboidrato para felinos nos EUA reflete uma evolução na compreensão da nutrição animal, impulsionada tanto por avanços científicos quanto por mudanças culturais na relação humano-animal. A evidência fisiológica que estabelece o gato como carnívoro obrigatório serve como o pilar fundamental para justificar essa transição dietética [1]. A correlação entre dietas ricas em carboidratos, disbiose intestinal e uma série de condições inflamatórias e metabólicas em felinos é cada vez mais reconhecida e suportada pela literatura [3,4,8].
A ampla gama de produtos low-carb e "meat-only" disponíveis no mercado norte-americano demonstra a resposta da indústria a essa demanda crescente [13]. Desde alimentos air-dried, como Ziwi Peak, a patês de alta proteína como Tiki Cat e Feline Natural, até dietas cruas comerciais de marcas como Stella & Chewy's, Primal e Instinct Raw, os tutores têm cada vez mais opções alinhadas à biologia felina. No entanto, a escolha deve ser informada e criteriosa.
Riscos e Precauções: Apesar dos benefícios potenciais, a transição para dietas alternativas requer considerações importantes:
A evidência fisiológica e os estudos sobre o microbioma intestinal felino convergem para indicar que dietas com alto teor de carboidratos podem induzir disbiose, inflamação intestinal crônica e aumentar o risco de distúrbios metabólicos em gatos. A crescente tendência no mercado norte-americano de adotar dietas ricas em proteína de origem animal e baixas em carboidratos (via alimentos air-dried, úmidos de alta proteína ou dietas cruas comerciais) é uma resposta embasada nessa compreensão da biologia felina. Tal movimento é significativamente impulsionado pela demanda consciente de tutores com formação em nutrição e pelo aconselhamento de médicos veterinários integrativos, que estão remodelando as expectativas e ofertas do mercado.
A escolha de uma dieta "biologicamente apropriada" é um passo significativo para otimizar a saúde felina. Contudo, a transição e a seleção do produto devem ser realizadas com apoio veterinário qualificado, garantindo o balanço nutricional, a segurança microbiológica e a individualização para as necessidades específicas de cada paciente. A educação contínua de tutores e profissionais sobre esses princípios é fundamental para o bem-estar dos felinos.
Cláudio Amichetti Júnior¹,² Gabriel Amichetti³
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; MAPA 00129461/2025, CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina e Canina, Medicina Canabinóide e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos e cães tipo bull, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar. ² Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil ³ Médico-veterinário CRMV-SP 45.592 VT, Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais – Clínica 3RD Vila Zelina SP
Autor Correspondente: Cláudio Amichetti Júnior, [dr.claudio.amichetti@gmail.com]
Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.
Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal
Em 26 de junho de 2025, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) publicou a Resolução nº 1.653/2025, que altera dispositivos da normativa anterior (Resolução nº 1.321/2020) e traz importantes atualizações para a documentação médico-veterinária no Brasil. Uma das mudanças mais significativas é a uniformização terminológica: os termos “tutor” e “proprietário” deixam de ser utilizados em prontuários, laudos, documentos clínicos e formulários, dando lugar oficialmente a “responsável pelo animal”. (CRMV-GO)
A substituição da terminologia não é apenas semântica; ela reflete uma mudança de paradigma na prática veterinária brasileira, alinhando aspectos éticos, jurídicos e profissionais.
Ao adotar a expressão “responsável pelo animal”, o CFMV reforça a ideia de que o animal não é simplesmente um objeto ou propriedade, mas um ser que merece cuidado, atenção e respeito. O novo termo destaca a responsabilidade efetiva de cuidados sanitários, nutricionais, de bem-estar e garantia de saúde por parte da pessoa que convive com o animal. (Conselho Federal de Medicina Veterinária)
Essa mudança está alinhada com as tendências contemporâneas de reconhecimento da senciência animal — a capacidade dos animais de sentir e sofrer — conceito que vem ganhando respaldo em diversas áreas do direito, da ciência do comportamento e da bioética animal.
Termos como “tutor” podem gerar ambiguidade porque, fora do contexto jurídico veterinário, estão associados principalmente ao âmbito de tutelas de incapazes (como menores de idade), podendo ser confundidos com figuras legais que têm significados específicos no Direito Civil. Por outro lado, “proprietário” remete diretamente à propriedade, uma categoria economicista e despersonalizada, que não necessariamente reflete o vínculo de cuidado que hoje se espera na medicina veterinária. (Conselho Federal de Medicina Veterinária)
O termo “responsável pelo animal” oferece uma base mais clara e objetiva para contratos, prontuários e documentos clínicos, reduzindo ambiguidades que possam surgir em disputas judiciais ou ético-profissionais. Isso reforça a segurança jurídica do médico-veterinário, sobretudo em situações delicadas como retirada de internamento sem alta médica ou consentimentos informados. (CRMV-SP)
Antes da Resolução nº 1.653/2025, clínicas e hospitais veterinários muitas vezes utilizavam diferentes termos — “dono”, “proprietário”, “tutor” — em documentos oficiais e prontuários, o que podia gerar inconsistências e mal-entendidos, tanto internamente nas equipes quanto em avaliações externas. (Conselho Federal de Medicina Veterinária)
A padronização para “responsável pelo animal” simplifica a linguagem e uniformiza a documentação em todo o Sistema CFMV/CRMVs, melhorando a coerência e a qualidade da comunicação profissional.
A nova terminologia enfatiza a função ativa da pessoa que acompanha o animal no processo de cuidado em saúde. Em vez de um papel passivo — frequentemente associado ao termo “proprietário” — o uso de “responsável pelo animal” sinaliza que essa pessoa tem deveres e responsabilidades claras em relação ao acompanhamento, consentimento informado e comunicação com o médico-veterinário. (Conselho Federal de Medicina Veterinária)
Essa mudança ajuda a estabelecer uma base ética de colaboração entre o profissional e o responsável, o que pode reduzir conflitos, aumentar a confiança no serviço veterinário e promover mais transparência nas decisões clínicas.
A Resolução nº 1.653/2025 também proporciona respaldo técnico e jurídico em situações de risco, como a retirada antecipada de um animal sem a devida alta médica. Nesses casos, a norma exige que o responsável pelo animal assine um termo de ciência dos riscos; a padronização do termo reforça o entendimento claro de quem está assumindo essa responsabilidade — algo que é relevante em possíveis demandas legais ou ético-profissionais posteriores. (CRMV-TO)
A substituição de termos como “tutor” e “proprietário” por “responsável pelo animal”, oficializada pela Resolução nº 1.653/2025 do CFMV, traz vantagens substanciais para a medicina veterinária brasileira. Ela não apenas atualiza e padroniza a linguagem técnica, mas também reforça a ética profissional, a segurança jurídica e a clareza comunicativa entre profissionais e clientes. Essas mudanças refletem a evolução do campo veterinário, que incorpora uma visão mais humanizada e responsável do cuidado animal, fortalecendo práticas clínicas mais transparentes, consistentes e alinhadas com os princípios contemporâneos de bem-estar animal. (CRMV-GO)